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Crítica do filme: 'Pequena Sibéria'

O acreditar naquilo que querem. Um cobiçado objeto vindo do espaço se torna o estopim de uma série de situações fora da curva. Assim, podemos começar a definição do novo longa-metragem finlandês da Netflix – que logo alcançou o top 10 - Pequena Sibéria. Dirigido por Dome Karukoski, o projeto é um drama existencial camuflado de comédia de erros com subtramas inconsistentes em forma de fragmentos pouco convincentes. São 105 minutos de situações incongruentes que logo viram um verdadeiro teste de paciência. Num vilarejo gelado, onde todos se conhecem, afetado por uma situação inusitada - quando um meteorito atinge o lugar – conhecemos esse curioso lugar e seus personagens através do olhar do pastor Joel ( Eero Ritala ), em crise conjugal. Com o valor estimado do objeto, olhos invejosos começam a bolar planos. Através desse homem de fé, em meio a um redemoinho de conflitos, a ganância e as dúvidas sobre a esposa Krista ( Malla Malmivaara ) logo começam a cruzar vários caminhos. A premi...

Crítica do filme: 'Eu e o Boi, o Boi e Eu' [7a Edição do Lanterna Mágica]

Trazendo para o centro dos holofotes um evento marcante em vários municípios de Minas Gerais, inclusive a cidade de Pedro Leopoldo - sua festa conhecida do Boi da Manta - o criativo filme Eu e o Boi, o Boi e Eu nos apresenta o contraste entre a admiração e o receio através de um jovem personagem e seus primeiros passos rumo à percepção cultural de seu estado. Dirigido e escrito por Jane Carmen Oliveira , essa animação foi selecionada para a Mostra Competitiva Nacional da 7ª edição do Lanterna Mágica – Festival de Animação Internacional e Nacional que ocorre todo ano em Goiânia. Em cinco interessantes minutos acompanhamos um pequeno recorte na vida de uma criança que paralisa seus olhos para as histórias que escuta da mãe sobre um tal boi da manta que é uma figura representativa de uma festa popular conhecida em sua cidade, Pedro Leopoldo. Com o passar do tempo a criança embarca em jornada de onde vai do extremo de um medo incessante até um fascínio pelas descobertas. Compondo sua n...

Crítica do filme: 'Anacleto, o Balão' [7a Edição do Lanterna Mágica]

Baseado em livro de 48 páginas escrito por Carol Sakura e com ilustrações de Walkir Fernandes - que também é inspirado em um recorte familiar curioso da primeira – o divertido suspense infantil Anacleto, o Balão tem sua espinha dorsal no modo criativo de mostrar as percepções dos sentimentos aos olhos de uma criança. Esse foi um dos projetos selecionados para a mostra competitiva nacional da 7ª edição do Lanterna Mágica – Festival Internacional e Nacional de Animação. Nesse curta-metragem do Paraná, acompanhamos a saga de um jovenzinho que um dia se vê de frente com um balão vermelho. Esse artefato de papel fino e com formatos variados passa a fazer parte da família, interagindo no café da manhã e até acompanhando jogos de futebol com toda a família. Após um tempo, algumas situações inusitadas começam a fazer parte das percepções do jovem e os sustos se tornam algo constante. Do medo até a imaginação, em 12 minutinhos conseguimos absorver reflexões variadas sobre o universo amplia...

Crítica do filme: 'Rock Bottom' [7a Edição do Lanterna Mágica]

Trazendo uma imersão profunda pelas percepções de aspectos da mente que se misturam com inspirações entre a carreira musical e os dramas da vida de um conhecido músico da cena britânica de décadas atrás, o engenhoso drama musical com técnicas de animação Rock Bottom é uma verdadeira viagem existencial. Repleto de interpretações e caminhos para o público se jogar, o projeto, escrito e dirigido pela cineasta espanhola María Trénor , foi o filme de abertura da 7a edição do Lanterna Mágica – Festival Nacional e Internacional de Animação. Durante uma festa, onde Bob reencontra amigos da cena musical ele é logo fisgado pelos excessos e na paixão relâmpago por uma fã. Só que ele não esperava que Alif, seu grande amor, aparecesse à sua procura desencadeando em uma queda que o deixa em estado crítico. Durante esse tempo em recuperação vamos conhecendo melhor a história dos dois, algo que se estende em alucinações e variações temporais. Já com um deslize no seu arco inicial, uma explicação s...

Pausa para uma série: 'Whiskey on the Rocks'

Pincelando as ironias da geopolítica com um episódio absurdo que aconteceu durante o período de guerra fria, a brilhante minissérie sueca Whiskey on the Rocks – pouquíssimo divulgada aqui no Brasil – usa sem abusar da sátira nos levando para um registro histórico que ficou perto de colocar em linhas de combate os Estados Unidos e a ex-União Soviética (URSS). Criada por Henrik Jansson-Schweizer e Björn Stein , Whiskey on the Rocks também é um show de desabafos que mostra através da comédia tensões em três pontos do mundo num momento caótico do planeta. No ano de 1981, nos últimos anos de guerra fria, um fato curioso aconteceu em águas escandinavas. Um submarino russo classe Whiskey, U-137, em treinamento, após uma enorme bebedeira por parte de sua tripulação, acaba ficando encalhado no território sueco. Durante quase duas semanas uma série de situações políticas criou um verdadeiro alarde para os mandachuvas das duas maiores potências mundiais tendo no centro do tabuleiro o ex-primei...

Pausa para uma série: 'Paradise'

Com uma forma criativa e concisa de apresentar sentimentos e dilemas em torno do fim do mundo – e também no declínio das relações sociais - chegou nesse início de 2025 na Disney Plus o surpreendente seriado Paradise . Criado pelo excelente roteirista Dan Fogelman , que já tinha deixado sua marca com a aclamada This is Us , esse seu novo projeto atrai o público com reviravoltas, mistérios e camadas que se abrem aos montes nos levando para uma jornada empolgante através de personagens enigmáticos. Tudo ia bem numa comunidade perfeita de algumas milhares de pessoas até que um dia o presidente Cal ( James Marsden ) é brutalmente assinado no seu quarto. Logo, Xavier ( Sterling K. Brown ), o responsável chefe por sua segurança, começa a juntar as peças desse quebra-cabeça que nos leva até a exposição de fatos surpreendentes que vão de encontro aos interesses de Sinatra ( Julianne Nicholson ) uma influente nas relações políticas. Se você acha que a trama se prende a isso, não ande por esse ...

Crítica do filme: 'É Tempo de Amar'

As sequelas do pós-guerra não é um assunto novo e já foram epicentros de produções audiovisuais ao longo dos anos. Mas como cada história traz um componente contado de sua forma, é sempre uma jornada interessante entender mais sobre esse período marcante da humanidade, principalmente quando o discurso apresenta segundas chances que batem de frente com traumas e nas relações sociais. Em É Tempo de Amar , filme francês que entrou em circuito nos cinemas brasileiros neste início de 2025, nos deparamos com um retrato baseado em uma história que ocorreu na família da diretora Katell Quillévéré. Envolvendo o público com as euforias de uma oportunidade no amor, misturando-se com segredos e fantasmas do passado, chegamos em dilemas e sacrifícios de duas almas destinadas a viver uma conflituosa relação. A garçonete Madelaine ( Anaïs Demoustier ) vive seus dias de luta e tristeza em uma França em meados da década de 1950. Mãe solteira de um menino, fruto de um relacionamento com um soldado a...