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Crítica do filme: 'Jojo Rabbit'


As delicadezas de uma época triste. Tentando ser o mais leve possível para falar sobre as absurdas caçadas aos judeus pelos nazistas, o diretor neo-zelandês Taika Waititi consegue com seu novo trabalho, Jojo Rabbit (indicado a algumas categorias do Oscar) criar um universo peculiar, fruto de um roteiro criativo (baseado na obra Caging Skies, de Christine Leunens) que navega na linha tênue entre a tragédia e os bons sentimentos de uma família de dois, que na verdade eram três. Com muita força expressiva em cena com diálogos marcantes, e porque não dizer emocionantes, o projeto mostra ao mundo mais uma vez que pela arte conseguimos recriar o passado mas sem perder a ternura em determinados olhares.

Na trama, ambientada no período da segunda grande guerra, conhecemos o jovem Jojo (Roman Griffin Davis, em atuação marcante), um pequeno alemão ridicularizado por muitos colegas, completamente extremista por tudo que ouviu falar sobre o nazismo. Jojo passa seus dias trazendo pra sua realidade sua mente fértil. Tão fértil que consegue ter um incomum amigo imaginário: Hitler, de quem escutas todo dia conselhos e mais conselhos. Certo dia, após ouvir um barulho em sua casa, descobre, escondida, uma jovem judia chamada Elsa (Thomasin McKenzie).  A partir daí, sua vida muda e suas dias passam a debates interessantes com sua mãe Rosie (Scarlett Johansson) e com a nova amiga.

Impressiona a força que possui a personagem de Johansson, sua delicadeza em recriar um mundo mais amável para seu filho, brincando e dançando para fugir de uma rotina de notícias ruins ligadas a violência, ódio e guerra que chegam aos ouvidos de seu filho a todo instante. O projeto fala sobre família, esse sentimento bom que vem de quem a gente ama mesmo com o mundo pirando fora de nossa casa. A amizade ganha luz e ao mesmo tempo força, unindo uma judia em fuga e um pequeno nazista consumido por um extremismo doentio por tentar encontrar um lugar onde se encaixe. Os arcos do roteiro, muito bem definidos, transformam dor em esperança a cada sequência.

Ganhador do BAFTA de melhor roteiro no ano passado, orçado em 14 milhões de dólares (bem abaixo de muitas outras produções indicadas ao Oscar em 2019), Jojo Rabbit é um filme pouco comentado, para alguns até exagerado, mas que apresenta ao público uma leveza tão difícil de encontrar dentro de todo o contexto triste de uma guerra. Um belo trabalho do descendente de judeus, Taika Waititi.


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