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Crítica do filme: 'A Odisseia dos Tontos'


A revolta dos atingidos pela canalhice de alguns. Lançado no circuito brasileiro no final do segundo semestre do ano passado, A Odisseia dos Tontos, novo filme estrelado pelo grande ator argentino Ricardo Darín, é antes de mais nada uma crítica social importante que gira em torno da enorme crise financeira vivida pela Argentina no início do século. Baseado na obra La noche de la Usina escrito pelo escritor Eduardo Sacheri, o projeto aborda o caos de maneira inteligência, com ótima trilha e generosas pitadas cômicas. Mais um bom filme de um dos maiores recordistas de público no Brasil, Darín.

Na trama, voltamos ao ano de 2001 em uma cidadezinha no interior da Argentina, quase província de Buenos Aires, onde um grupo de conhecidos resolvem investir todo o dinheiro que pouco tem em um negócio no local onde moram. Mas, um tempo depois de conseguirem arrecadar o suado dinheiro, acabam entrando em um golpe e perdem tudo para trambiqueiros. O tempo passa e o grupo volta a se reunir, pois, agora sabem onde está o dinheiro que é deles por direito, assim, farão de tudo para conseguir reaver a quantia.

La odisea de los giles, no original, esquece as consequências, exatamente por mostrar um grupo de pessoas sem nada a perder. Passados para trás em um trambique de marca maior, entendem que a única solução é irem à luta, custe o que custar. Circulando como background da história, a grave crise argentina e seu desenrolar para a classe média baixa e pobre ganham força a todo instante sendo válvula propulsora para tudo que acontece na história dos curiosos personagens. Líder do grupo, Fermín (Ricardo Darín) dita o ritmo da trama e seus dramas logo se transformam em objetivos para ele e seu ‘equipe’ de desesperados.

Vencedor do Prêmio Goya (Oscar Espanhol) de Melhor Filme Ibero-Americano, A Odisseia dos Tontos é mais um filme rico de críticas que tem no elenco o maior artista latino americano de nossa geração e mais uma dezena de ótimos atores e atrizes de um país que passa por crises mas sempre encontra na arte uma maneira de redenção.

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