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Crítica do filme: 'A Ilha dos Assobios' (La Gomera)


Quanto mais você aprende sobre as coisas peculiares, mais o universo deposita um vale de sorte. Depois de conquistar a atenção dos cinéfilos nos ótimos A Leste de Bucareste (2006), Polícia, Adjetivo (2009) e O Tesouro (2015), o cineasta romeno Corneliu Porumboiu volta às telonas com mais uma retrato instigante da natureza humana que mistura características peculiares envoltas em uma trama muito bem amarrada. A Ilha dos Assobios, La Gomera no original, concorreu a palma de ouro em Cannes no ano passado. Mais um vez, Porumboiu brinca entre o drama e a tragicomédia apresentando uma forte história que fala sobre escolhas e assobios. Ótimo!

Na trama, conhecemos o indeciso policial Cristi (Vlad Ivanov), um homem que é meio que um agente duplo: policial e joga também do lado do crime. Ele é envolvido em uma trama onde é pressionado por Gilda (Catrinel Marlon), esposa de um chefe de uma gang a libertar esse em uma prisão que fica numa ilha, onde um peculiar dialeto é o jeito mais seguro de se comunicar. Tendo que aprender as regras gramaticais dos assobios, o policial precisa definir de que lado está nessa grande enrascada.

Podem perceber que todo filme bom começa com um ritmo meio confuso mais aos poucos, quando as peças se encaixam, tudo fica mais nítido, um deleite pro cinéfilo. Usando da excentricidade para contar uma saga descontrolada de um homem sem mais nada a perder na vida (pois tudo que fez até aqui fere seus princípios) até encontrar o amor novamente, Porumboiu encaixa elementos de plano de fundo cirúrgicos, de vez em quando cronologicamente misturados que fazem o espectador entender o que ta vendo não pelos arcos mas por uma ótica de transformação do protagonista. É como se a cada sequência do personagem principal abrisse uma porta e nos levássemos junto a ele para saber o que tem lá dentro, uma jornada com tentativa de ser original o tempo todo, um frescor no meio de tanto mais do mesmo que assistimos por aí.

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