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Crítica do filme: 'Piedade'


As lições de uma vida que não vivemos. Cercado sempre de muito entusiasmo, o quinto longa-metragem de um dos mais corajosos cineastas brasileiro, Cláudio Assis, teve sua exibição permitida via streaming no dia de hoje, em homenagem ao Dia do Cinema Nacional, uma forma de comemorar com arte dentro da quarentena social a qual vivemos nesse inusitado ano de 2020. Exibido na Mostra Competitiva da última edição do Festival de Cinema de Brasília, o filme possui todos os elementos de um projeto assinado por Assis, verdades corporais, intensidade, sexualidade e mensagem bem forte e contundente. Vale o destaque para Cauã Reymond (que vai se desenvolvendo como um ator melhor a cada projeto que passa), o veterano do cinema nacional Matheus Nachtergaele (que esteve em todos os filmes lançados pelo polêmico cineasta) e a maior de todas, Fernanda Montenegro.

Na trama, rodada no Litoral do Cabo de Santo Agostinho e no Centro do Recife, conhecemos dois núcleos familiares que acabam se encontrando por conta de segredos de um pai que já faleceu. Dona Carminha (Fernanda Montenegro), seus filhos Omar Shariff (Irandhir Santos) e Fátima (Mariana Ruggiero) vivem seu sustento a partir de um bar da família na beira d’água que acaba sendo alvo de uma empresa que quer comprar o terreno e envia o executivo Aurélio (Matheus Nachtergaele) para negociar com eles. No meio da investigação, para ver se usa algum elemento que o ajuda a negociar com mais margem, Aurélio descobre um terceiro irmão que sumiu da maternidade e nunca mais se soube dele. Esse irmão é Sandro (Cauã Reymond) que vive com seu filho Marlon Brando (Gabriel Leone) no centro de Recife onde é dono de um dos poucos, talvez o único, cinema pornô da cidade. Quando um lado descobre sobre o outro, momentos de aflição e emoção envolverão a todos.

Em pouco mais de 90 minutos, de forma bastante objetiva, com tempo para críticas sociais, expressão da liberdade do sexualismo e os contornos da delicadeza envolvida nas linhas do roteiro Piedade fala muito sobre família. Percebemos um Assis com o pé no freio em relação ao chocar e mais no acelerador em relação ao emocionar. É uma bonita forma de enxergar essa história quando pensamos na dor e no sofrimento que todos os personagens de certa forma vivem, até mesmo Aurélio e sua dependência emocional da mãe que como fica evidente não sabe de sua orientação sexual. As atuações são marca forte desse projeto, além de contar com a grande Fernanda Montenegro, Assis reúne um elenco bastante consistente como Irandhir Santos, Matheus Nachtergaele, Gabriel Leone e Cauã Reymond que quebra o esteriótipo de galã de novela com uma atuação bastante segura.

Quando esse bom projeto chegará aos cinemas ninguém sabe. Seja em que plataforma ou ‘janela’ vale a pena conferir, mesmo não sendo o melhor trabalho de Claudio, há muito méritos nesse. É a força do cinema nacional, principalmente o oriundo de um nordeste tão criativo quando pensamos em sétima arte com força, amor e muito cinema.

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