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Crítica do filme: 'Quando um Homem Volta Para Casa'


Sobre as várias facetas do amor, da paixão, quais são as regras da atração? Quinto longa-metragem escrito e dirigido pelo genial cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg, lançado em meados de 2007, Quando um Homem Volta Para Casa é um recorte tragicômico de um jovem que entra em erupções com seus conflitos amorosos e paternais quando o presente parece pedir passagem às linhas de raciocínio concretas feitas em seu passado. O dinamismo do roteiro chama atenção. São fragmentos de subtramas que passam e repassam sobre os conformes dentre o pensar dos personagens envolvidos, descamuflando suas lacunas escondidas retratando as ações da inconsequência de maneira honesta e com certo ar de naturalidade. Um trabalho pouco falado do gênio dinamarquês.


Na trama, seguimos a trilha de Sebastian (Oliver Møller-Knauer), um jovem auxiliar de cozinheiro que está envolvido em um grande banquete para uma personalidade local, um tenor chamado Hans (Thomas Bo Larsen) que retorna à sua terra natal depois de décadas para uma apresentação. Até aí nada muito curioso, a não ser o complementar fato de que sua mãe, que é lésbica, o surpreende dizendo que a tal personalidade é seu pai biológico. Assim, o jovem, que possui uma gagueira forte desde sempre precisará enfrentar seu passado de algumas formas.


Muitos personagens excêntricos, um ar nostálgico que parecem assumir de vez seus conflitos para uma tentativa quase desesperada e até mesmo surpreendente de tomar as rédeas de suas vidas. Os conflitos de personalidades dentro do contexto amarrado no roteiro cria soluções para muitas lacunas que precisamos preencher. Há muitas óticas para serem analisadas, sempre aliadas com o ar provocativo de Vinterberg. Um jovem em crise, trai a namorada com um antigo amor, só aí nesse caso, há um triângulo formado e as resoluções desses embates partem do princípio do sentido de amadurecimento que os personagens passam. Por outro lado, talvez a parte mais complexa, a relação de Sebastian com o novo pai cria laços inimagináveis tendo sua amada Maria (Ronja Mannov Olesen) em mais um epicentro de conflito.


Buscando a naturalidade em profundas argumentações e tensões provocadas por atos inconsequentes, um dos criadores do Dogma 95 (ao lado de Lars Von Trier) usa e abusa do seu estilo provocador descontruindo a tradição e dando um ar de atualidade ao que pensamos sobre família.  

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