Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Valentina'


Em busca de seus direitos, de sua liberdade. Todos que querem falar, precisam ser ouvidos. Chegou aos cinemas brasileiros um filme que mostra os obstáculos que uma jovem trans precisa enfrentar para conseguir ser feliz do jeito que quer. Valentina, pega a realidade de muitos e muitas e joga na tela, trazendo pontos reflexivos aos montes para nós espectadores. Desde a intolerância, focada aqui no interior do país, o preconceito na apresentação e documento na boate, o abuso e o sofrimento, os horrores do ciberbullying, a violência vinda por muitos lados... Valentina é uma pequena grande obra do nosso cinema que mostra ao mundo que o preconceito sempre vai perder para o amor. Escrito e dirigido pelo cineasta Cássio Pereira Dos Santos. O projeto marca a estreia no cinema da atriz e youtuber trans Thiessa Woinbackk.


Na trama, conhecemos Valentina (Thiessa Woinbackk), uma jovem perto dos 18 anos, trans, inteligente que está trocando de cidade após a mãe Márcia (Guta Stresser), técnica de enfermagem, passar em um concurso para o interior de Minas Gerais. Chegando na nova cidade, busca uma nova vida ao lado da mãe. A protagonista faz logo amizades mas também acaba sendo alvo do preconceito de alguns.


O triângulo familiar possui vértices que compõem a trajetória de Valentina. A mãe está recriando sua vida, consegue um novo amor, e sempre está próxima da filha para ajudá-la a lutar por seus direitos e a defender contra qualquer impunidade que aparece pelo caminho das duas. O pai é uma figura quase misteriosa no início, distante, mora em outra cidade e não sabemos as causas dessa distância, surge após uma situação que passa Valentina, ajuda da maneira que pode mesmo sabendo que não consegue estar por perto, por já ter outra família, para ajudá-la a enfrentar tudo que passa diariamente.


Os absurdos do ‘mal estar com a comunidade’, por meio do abaixo assinado enviado à escola nova, retrata os absurdos que acontecem por aí, do preconceito à frente de qualquer busca de entendimento de uma jovem em busca de ser quem ela quer ser. O filme tem muitos méritos e um deles é esse de retratar o que jovens trans sofrem por esse Brasil ainda sentado em um triste conservadorismo trazendo sofrimento para quem busca ser feliz do jeito que gosta. Valentina é um filme necessário nesse nosso país ainda cheio de pré-conceitos e preconceitos.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...