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Crítica do filme: 'O Destino de Haffman'


Os deslizes da moral. Trazendo uma história atemporal que traz o refletir aos nossos olhos, O Destino de Haffman, exibido no Festival Varilux de Cinema Francês de 2022, é um projeto onde caminhamos pelas emoções em uma época triste onde as escolhas se tornam questões vitais. Baseado na obra de Jean-Philippe Daguerre, o longa-metragem coloca ao pensar do espectador ações e consequências que fazem parte da trajetória de três personagens impactantes e seus conflitos. No elenco, um fabuloso trio de artistas: Daniel Auteuil, Gilles Lellouche e Sara Giraudeau. A direção é assinada pelo cineasta Fred Cavayé.


Na trama, conhecemos o experiente joalheiro judeu Joseph Haffmann (Daniel Auteuil) que vive uma vida repleta de amor e muito trabalho com sua família em Paris. Ele tem um funcionário no qual conhece faz pouco tempo, François (Gilles Lellouche) que sonha em conseguir com seu talento dar uma boa vida para sua esposa Blanche (Sara Giraudeau). Ambos sonham em ter filhos. Durante essa época, no início da década de 40, acontece a ocupação alemã e judeus são perseguidos por todos os lados. Buscando encontrar uma saída para a situação, Haffman propõe a François que ele assuma os negócios da joalheira e sua casa, para após a guerra ele volte para o verdadeiro dono. Só que Haffman não consegue fugir a tempo e precisará passar meses ao lado de François e Blanche só que numa posição invertida, fato que passará a criar conflitos profundos na vida dos três personagens.


Caminhando pela guerra e por profundos dramas existenciais que esbarram em conflitos familiares, O Destino de Haffman pode ser enxergado sob três óticas. Tem a do homem e sua desconstrução de caráter não sabendo lidar com um novo modo de viver dentro de uma condição ligada à moral. Tem a de um experiente batalhador urbano, que doou anos de sua vida para montar um negócio e de um dia para o outro vê tudo que construiu se desfazendo precisando modelar um acordo arriscado contando com a boa fé. Tem a de uma mulher que sofre terríveis consequências em sua relacionamento, além de abalos emocionais profundos, violência, muito por conta das ações de seu descontrolado marido. Essas três óticas contornam a excelente adaptação de Cavayé nos levando a uma mesma estrada de dor, sofrimento e escolhas dentro de uma moral abalada pela ganância que de forma alguma será inconsequente.


O Destino de Haffman é uma obra primorosa que vai fundo em sua análise sobre o ser humano, em qualquer época.

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