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Crítica do filme: 'O Truque da Galinha'


Quando a peculiaridade nos prende. Ganhador de prêmios no Festival de Cannes em 2021, chega ao circuito brasileiro de exibição um dos longas-metragens mais peculiares que vão desembarcar por aqui nesse ano. Em O Truque da Galinha, dirigido pelo cineasta de 34 anos Omar El Zohairy, em seu primeiro longa-metragem como diretor, há um exercício bastante curioso em busca da originalidade. Colocando contrapontos inteligentes sobre o instinto de sobrevivência, por meio de uma espécie de faz de conta, o protagonismo de uma família árabe acaba se invertendo o que nos aproxima de uma realidade chocante que, por conta de leis discriminatórias, assédio e outras questões, o Egito, um território extremamente conservador e machista, é um dos piores lugares do mundo para as mulheres.


Na curiosa trama, acompanhamos uma família de origem humilde que está prestes a comemorar mais um aniversário de um dos seus membros. Acontece que durante a festividade, que acontece dentro da própria casa deles, um mágico vai se apresentar e acaba transformando o patriarca da família em uma galinha. A partir desse inesperado acontecimento, a mãe, que sempre se dedicou ao marido, ao lar e a criação das crianças, precisará tomar decisões importantes sem esquecer de pelo menos tentar encontrar soluções para ter seu marido de volta.


Há uma parábola sobre a fuga da realidade por meio do que é exibido no único meio de comunicação da casa. Os sonhos logo nos são apresentados por meio de uma televisão antiga onde o fascinante universo dos comerciais e programas de televisão vendem uma realidade muito distância a dessa família. O espectador se mantém com os olhos atentos em boa parte dessa peculiar história. Indo em busca de uma maneira de sustentar sua família, já que seus filhos agora dependem somente dela, a mãe vai atrás de um emprego. Lutando de todas as formas para sobreviver em meio ao caos que virou sua rotina, surpresas que acontecem pelo caminho nos mostram uma série de decisões que de todas as formas nos levam à transformação impactante da verdadeira protagonista dessa história.


Pensando na obra cinematográfica em si, essa produção nos mostra a importância que possui a arte quando essa nos traz um olhar para reflexão, mesmo que cheio de tristeza, da realidade de muitos em um país que cisma em se manter no conservadorismo e pouco valoriza suas mulheres.



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