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Crítica do filme: 'Jaula'


Após dois curtas-metragens como diretor, o cineasta Ignacio Tatay debuta na direção de um longa-metragem em um suspense repleto de variáveis ligados à conflitos emocionais após um casal adotar temporariamente uma jovem que encontram de noite, perdida, no meio da estrada. Algo ligado ao sobrenatural? Um suspense psicológico ou até mesmo uma história que vai nos surpreendendo aos poucos? Nessa gangorra de achismos caminhamos até o ponto onde há uma surpreendente troca de perspectiva onde aprofunda-se um olhar sob determinado ponto de vista em relação ao que vemos, esse detalhe do roteiro acaba sendo a grande sacada dessa produção espanhola chamada Jaula.


Na trama, conhecemos Paula (Elena Anaya, de A Pele que Habito) e Simón (Pablo Molinero), um casal que vive juntos já algum tempo e moram num lugar espaçoso, repleto de natureza e com vizinhos muito próximos. Certo dia, de noite, quando estavam voltando para casa acabam se deparando com uma cena perplexa de uma criança correndo sozinha pela estrada e que acaba causando um acidente. Dias após a levarem ao hospital, e mantendo um vínculo próximo com a garota, chega a eles a sugestão de adotarem temporariamente a jovem. Eles embarcam nesse desafio e aos poucos vão tentando interagir com ela, mas coisas estranhas começam a acontecer, situações que afetam a vida do casal.


As migalhas de informações modelam uma misteriosa trama. É como se soubéssemos que algum plot twist vai se encaixado a qualquer momento, o clima de tensão é constante, aguça nossa curiosidade para saber os desfechos dessa história. A paronoia vira uma característica importante para a trama, dentro do abstrato universo dos conflitos emocionais. Tudo é muito misterioso sobre a história da garota.


Há um amplo olhar sobre a questão maternal. A protagonista é complexa, aplica escondida injeções que ajudam no tratamento para gravidez, utilizando medicamento de tentativas anteriores que foram frustradas, acaba se encaixando em uma poderosa desconstrução com direito à conflitos ligados ao seu desejo de ser mãe. O choque de realidade que leva a esse conflito chega quando a mesma percebe que após os momentos de felicidade com a chegada da nova hóspede as variáveis incontroláveis que a cercam fogem do controle, assim vai de encontro ao atrito, briga com os vizinhos, variáveis que impactam seu casamento. Será que ela está enlouquecendo ou é a única lúcida em um quebra-cabeça macabro e inesperado? 


Jaula consegue um sincronismo importante quando pensamos na virada da trama, que mesmo sendo algo que alguns podem achar previsível, é eficiente dentro da narrativa proposta.




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