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Crítica do filme: 'Jogada de Amor'


Devagar se vai ao longe. Dirigido pelo cineasta italiano Riccardo Milani e disponível no catálogo da HBO MAX, a comédia romântica italiana Jogada de Amor nos apresenta uma história de amor sobre um solteirão de quase 50 anos que adora inventar as mais mirabolantes mentiras para seduzir mulheres por onde passa e sua jornada de desconstrução após conhecer uma mulher paraplégica. A narrativa busca de forma leve e descontraída, sem ser vulgar, refletir sobre o preconceito e a acessibilidade em uma Europa que possui cerca de 120 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência.


Na trama, conhecemos Gianni (Pierfrancesco Favino) um mentiroso compulsivo, egocêntrico, arrogante, que adora desfilar seu carrão pelas ruas de Roma, dono de uma empresa de calçados com grande sucesso no mercado que gosta de contar vantagens para os amigos tão machistas quanto ele em relação as suas conquistas, todas elas baseadas em mentiras para embarcar em relacionamentos logo descartáveis. Certo dia, tentando seduzir a vizinha de porta do apartamento de sua mãe recém falecida, acaba conhecendo a bela violinista Chiara (Miriam Leone), que anos atrás, após um trágico acidente de carro, acabou perdendo os movimentos das pernas. Desse encontro, acaba nascendo uma relação que vai crescendo mas precisando enfrentar diversos conflitos pois Gianni à princípio mente dizendo também ser paraplégico.


Parece filme da sessão da tarde, enxergamos por todo seu percurso um conjunto de clichês de braços abertos com a narrativa. Mas isso não é um problema! A irreverência aqui, até um pouco exagerada, é verdade, busca conscientizar e acabamos entrando em reflexões sobre duas questões. O preconceito e a acessibilidade chegam com leves pitadas críticas, principalmente nessa segunda questão talvez pelo fato de 10 anos atrás, o país hoje comandado pelo presidente Sergio Mattarella fora condenado pelo TJUE (Tribunal de Justiça da União Europeia), Órgão que tem jurisdição sobre matérias de interpretação da legislação europeia, por não ter na maioria de seu território a aplicação de estruturas básicas de acessibilidade.


Eu andei pelas ruas do amor. E elas estão cheias de lágrimas. Com direito a Rolling Stones na trilha sonora, que chega forte em nossos ouvidos com a canção Streets of Love (que bem podia ser o título do filme), outro fator que assistimos ao longo das quase duas horas de projeção é a crise de meia idade que passam os dois personagens e suas lutas de confrontarem decepções de outrora e se jogarem na estrada de como é bom se sentir amado. Ambientado na sempre romântica e badalada capita italiana, que antigamente era o centro político e religioso da civilização ocidental, Jogada de Amor convence nossos corações sem esquecer de refletir sobre assuntos importantes da realidade.



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