Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Creed III'


Jogo é jogo, treino é treino. Em seu primeiro trabalho atrás das câmera como diretor, Michael B. Jordan busca a emoção a todo instante seja no duelo profissional ou no pessoal do ótimo protagonista que dá título a essa franquia, oriunda da saga Rocky, que caiu nas graças de todos que viraram órfãos do garanhão italiano. Em Creed III, vemos o tom reflexivo de um campeão que precisa confrontar seu passado. Os conflitos familiares contornam a narrativa mas sem deixar de ter fôlego para cenas de ação de um dos esportes mais populares do universo das lutas. Esse é o primeiro filme do universo de Rocky que o lendário personagem não aparece.


Na trama, voltamos a encontrar Adonis Creed (Michael B. Jordan) agora um empreendedor do mundo das lutas após sua recente aposentadoria com um currículo invejável como lutador. Só que nesse terceiro filme da franquia vamos conhecendo mais a fundo o passado do personagem e o reencontro dele com um amigo do passado, o complicado e ex-presidiário Damian (Jonathan Majors) um antigo prodígio do boxe. Desse encontro, logo um confronto acontece e os amigos irão se enfrentar em uma batalha onde só um pode ficar com o cinturão.


A palavra família contorna as linhas da narrativa. Com certa profundidade, sempre aos olhos do protagonista, vamos vendo mais de perto sua profunda relação com a esposa, a filha e a mãe, essa última com lembranças do passado quando o assunto é Damian, um amigo encrenqueiro que ficou quase duas décadas preso por conta de confusões e uma situação ligada ao amigo Adonis. O desenvolvimento de Adonis nesse filme é uma estrada de conflitos que são muito bem executadas traçando um poderoso raio-x da personalidade, até mesmo um antes e depois, desse forte personagem. 


 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...