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Crítica do filme: 'Remédio Amargo'


Quinto trabalho na direção de um longa-metragem na carreira do cineasta espanhol Carles Torras, Remédio Amargo busca mostrar as facetas de um psicopata, controlador, doentio, que após sofrer um grave acidente resolve destruir a vida das pessoas mais próximas a ele. A narrativa se joga num jogo amargurado e psicológico de um narcisista por completo repleto de ideias desarrazoadas, um vilão do início ao fim. Com algumas cenas muito forçadas, que fogem de qualquer razoabilidade quando trazemos paralelos com a realidade, o filme tem como único objetivo traçar seu recorte de uma mente perturbada.


Na trama, conhecemos o paramédico Angel (Mario Casas), um homem por volta dos 30 anos, que desde sempre não bate bem da cabeça, inclusive tem uma estranha obsessão em levar souvenires das vítimas que atende. Ele mora com a namorada, a ingênua francesa Vane (Déborah François) que divide o tempo em cuidar da casa e a faculdade de veterinária. Quando Angel sofre um grave acidente que o deixa paraplégico, a relação dos dois piora mais ainda e Vane resolve deixa-lo. Só que Angel não deixará essa situação ficar assim por muito tempo e começa a bolar planos mirabolantes para se vingar de todos ao seu redor.


Dono de um dos mais difíceis distúrbios mentais de detectar, principalmente para os que estão muito de perto envolvidos com tal indivíduo, a psicopatia é o alvo central dessa trama. O poder de manipulação, as facetas que escancaram o controle com a situação, a crueldade, a falta de consideração com o próximo, são algumas das características do insensível Angel. Sua trajetória aqui é restrita aos que estão ao seu redor, bolando maldades quando se sente prejudicado pelo acaso. Seja com o vizinho, com a namorada, com o amigo de trabalho, ninguém sai ileso dos encontros com ele.


Filmado todo em Barcelona, o projeto não consegue furar a bolha do seu alicerce, deixando as subtramas em ponto de espera quase sem nenhum desenvolvimento. Em alguns momentos, cenas forçadas enfraquecem a narrativa. Muito pouco para prender a atenção do público durante todo seu tempo de projeção.



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