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Crítica do filme: 'Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo'


As descobertas da vida a partir de inúmeros pontos de vistas. Um dos filmes sensações dos últimos anos no universo do cinema, Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo é engenhoso e ao mesmo tempo confuso, tendo uma criativa narrativa que insiste em não tirar o pé do acelerador em nenhum momento. Dirigido pela dupla Daniel Kwan e Daniel Scheinert, o projeto indicado para 11 Oscars, com diálogos em cantonês, mandarim e inglês tem seu foco no relacionamento conturbado entre mãe e filha, essa questão é ponto de intercessão de um roteiro que vai à fundo na teoria de que toda pequena decisão cria ramificações, outros universos, esbarrando no já batido conceito de multiverso. Superestimado? Sim! Demais! Mas o projeto tem seus méritos.


Na trama, conhecemos Evelyn (Michelle Yeoh), uma mulher consumida por sua vida totalmente sem tempo para ela mesma, com problemas com a receita federal, dividida entre o empreendimento da família nos Estados Unidos e as preocupações com a família. Mora com o pai, já na parte final de sua vida, o marido atrapalhado Waymond (Ke Huy Quan) e a filha Joy (Stephanie Hsu) com quem tem muitos problemas de relacionamento. Tudo não saia do lugar na sua monótona rotina até certo dia ser recrutada para enfrentar uma grande vilã dos multiversos e entender aos poucos melhor sobre questões que nunca imaginara.


Adepto de um ritmo frenético, do piscou perdeu alguma coisa, um dos filmes com maior número de indicações no Oscar 2023 é dividido em partes que deveriam deixar tudo menos confuso mas não é o que acontece. As questões físicas dos pensamentos em cima do saltos multiversais não ganham explicações nem os sentidos de conversas entre pedras, versões humanas com dedos de salsicha, talvez pelo abstrato mundo dos achismos nos aproximamos de alguma reflexão se pensarmos pela ótica da protagonista sobre o que teria acontecido se tivesse escolhido diferentes caminhos no passado.


A corajosa história busca alinhar o campo hipotético com razões sentimentais, com uma pergunta que se torna constante: Será uma questão de tempo até tudo desabar novamente? Os objetivos inacabados, os sonhos abandonados, a arte do cair e se levantar em um mundo muitas vezes cruel e cíclico entra em desconstrução para se buscar enxergar o lado bom das coisas. Aqui entra a variável mais importante da trama, os laços conturbados entre mãe e filha, o principal alicerce, a construção perfeita cheia de reflexões em todo lugar ao mesmo tempo.


Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo virou um dos filmes mais badalados dos últimos tempos, dentro de sua criatividade sem limites que encontra a confusão em um roteiro não tão certeiro mas que acha o brilhantismo no seu ponto mais fácil de entender, a força do amor de uma mãe por sua filha.  



 

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