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Pausa para uma série: 'Origem' ('From')


Os fatos que levam a contradição lógica. O que você faria se estivesse em uma estrada dirigindo seu carro e encontrasse um lugar aparentemente sem saída, com pessoas que nunca viu na vida e ainda por cima tendo que se proteger de aterrorizantes seres quando anoitece? Criada por John Griffin e produzida pelos irmãos Russo e Jack Bender que também produziu e dirigiu a saudosa série Lost, Origem, também conhecida como From, possui um roteiro inteligente, repleto de proposições teóricas onde há um clima de tensão constante. Os paralelos com um jogo de xadrez, impostos nos primeiros episódios retratam bem o que é proposto dali pra frente, uma batalha contra o desconhecido, onde a paciência e a combustão emocional se tornam elementos que se chocam. Disponível na Globoplay, Origem é altamente indicada para os amantes de mistérios e também aos órfãos de Lost, Fringe, até mesmo as subestimadas Wayward Pines e Jericho.


Na trama, conhecemos Jim (Eion Bailey), um engenheiro que constrói atrações de parques de diversões e sua esposa Tabitha (Catalina Sandino Moreno), um casal em crise, perto de assinarem o divórcio que resolvem fazer uma última viagem juntos de trailer com os dois filhos após uma tragédia. Durante o caminho, são surpreendidos por uma árvore que impede de continuarem, regressando para uma outra parte da estrada onde se veem presos em uma cidade, dividida em dois grupos, que tem como referência o ex-militar e atual autoridade do lugar Boyd (Harold Perrineau). Muitas perguntas aparecem: será que eles sobreviveram ao acidente que sofreram? Aonde eles estão? O ótimo episódio piloto prende a atenção sem deixar de esconder os principais mistérios e nos contextualizar de boa parte do que seria a jornada dali pra frente.


Espíritos que manipulam? Pessoas presas em um pedaço de uma cidade? Lançada em fevereiro de 2022 no streaming MGM+ (antiga EPIX), e ainda pouco falada aqui no Brasil, Origem explora lacunas herméticas, adota o paralelo e teorias de paradoxo como fonte de reflexão. Pra quem curte ir mais profundo no pensar, teorias complexas reforçadas pelo evidente paradoxo, como o experimento ‘O Gato de Schrödinger’, criado pelo físico e vencedor do Nobel Erwin Schrödinger, são amplamente debatidas abrindo um enorme campo de interesse no espectador mais atento.


Os paralelos entre o estado caótico e a esperança (aqui revertida de fé) dominam as ações e consequências dos personagens, esses intrigantes, cada qual com sua forma de enxergar a situação em que não conseguem sair. A chegada dos novos membros na cidade acaba desencadeando conflitos no pensar, deixando muitos deles em dilemas profundos. Tem os que enlouquecem, os que pensam em como ajudar a comunidade como um todo deixando qualquer tipo de egoísmo para trás, os que enxergam o sonho de um lugar mais alto do que o pesadelo. Batendo na tecla do princípio darwiniano, de que quem consegue se adaptar vai ter chances de sobreviver, acompanhamos o cotidiano dessas pessoas, dentro de um liquidificador de sentimentos, que chegaram naquele lugar por cidades e estradas diferentes.


A organização da cidade nos leva para a reflexão de que uma sociedade só sobrevive quando há uma certa cadeia de comando e aqui tudo isso é colocado em prova na trajetória do ótimo personagem Boyd. Intitulado xerife da cidade, o homem que precisa tomar as decisões que precisam serem tomadas, por mais difícil que sejam, se vê em grandes conflitos procurando a fé, passando pela raiva, ainda buscando entender o que houve com a esposa logo depois que chegaram naquele lugar.

 

As histórias e embates dentro da trama nos guiam como se fosse uma mapa de personalidade. Os traumas vividos, as experiência compartilhadas, a chegada de muitos deles até ali, a forma como reagem quando são instigados pelas criaturas noturnas que fazem de tudo para entrar nas suas casas. Bebendo da fonte da premissa da ótima Wayward Pines, Origem é interpretativa sem deixar de ser inteligente seja qual o entendimento que você tiver sobre os surpreendentes acontecimentos da ótima primeira temporada. Que chegue logo a segunda!



 

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