Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'No Outro Encontro Você'


Os vários recortes em um só. Com uma narrativa contornada pela melancolia e as desilusões da vida, seja no lado pessoal, ou no profissional, o longa-metragem brasileiro No Outro Encontro Você busca seu alicerce numa espécie de ‘cansaço de si mesmo’ dentro de lembranças embaralhadas com o não sucesso em um presente cercado de tristeza. Esse liquidificador de emoções acaba sendo a base do que assistimos ao longo de pouco mais de uma hora e meia de projeção desse projeto dirigido por André Bushatsky.


Na trama, ambientada no último mês do ano, conhecemos quatro amigos que se reúnem pela última vez na casa de campo de dois deles, já que a residência será vendida após o falecimento da matriarca da família. Tem playboy enrolado com seus empreendimentos furados, tem administrador boa praça endividado, uma artista introspectiva que está de mudança para outro país, além de uma dondoca que se joga numa traição em busca de algum sentido existencial. Nesse grupo de pessoas que se conhecem faz muito tempo, vamos acompanhando um recorte do presente deles, maduros ou imaturos, que convivem com segredos, mentiras e traições.


Os seus problemas são menores que os meus problemas? O que é o fracasso? Com algumas perguntas ligadas aos obstáculos da vida, que circulam na trajetória desses conflitantes personagens, No Outro Encontro Você tem seu epicentro nos relacionamentos em crise, buscando um olhar aos sentimentos mais íntimos dentro de uma montanha russa de emoções. Com uma locação apenas, vários assuntos contornam a trama, algumas de forma mais profunda, outras no campo superficial. O aborto, o rompimento com o ponto básico de um casamento, a infelicidade nos negócios, o não se desprender de uma bolha egoísta, mimada, ligada à criação que teve, os paralelos com o real são constantes, são personagens que dentro de suas características podemos enxergar do lado de cá da telona.


No Outro Encontro Você promove um refletir sobre recortes do cotidiano de quatro almas que se encontram com seus pensamentos diversos sobre a vida, jogando uma luz marcante dentro dos fracassos nos caminhos que os seres humanos precisam lidar. Pra quem se interessar, o longa pode ser assistido no NOW, no Vivo e na Amazon Prime Video (para aluguel).




Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...