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Crítica do filme: 'Carandiru'


A melhor coisa na cadeira é sair dela. Um dos filmes mais aclamados do cinema brasileiro das últimas duas décadas tendo como foco histórias de um lugar onde não se sabe onde a verdade está e impossível de prever como será o amanhã. Carandiru, dirigido por Héctor Babenco caminha por conflitos violentos, mentes perturbadas, ações impulsivas, dilemas, dentro do mais famoso presídio do país, o grande protagonista, que fechou as portas 21 anos atrás. Baseado no livro Estação Carandiru, de Drauzio Varella, o projeto traça um raio-x da cadeia dentro da cadeia.


Na trama, conhecemos um médico (Luiz Carlos Vasconcelos) que embarca em uma jornada repleta de conflitos indo para ações em um presídio com o foco em um trabalho de prevenção à Aids entre a população carcerária. Nesse lugar, escutando histórias e mais histórias, vemos muitas vezes esse personagem, também o narrador, em conflito interno, debruçado no dilema se deve esquecer ou voltar.


Aqui o ambiente, o lugar, é o grande protagonista. O maior presídio da américa latina, até então com 7.000 presos encarcerados em celas pequenas, com uma nítida superlotação, que reúne todo tipo de criminosos. Tem contrabandistas de carros, assaltantes, assassinos, traficantes, pessoas que acabam passando por transformações de um sistema carcerário precário que isolam qualquer tipo de reabilitação social. Na prisão, viram os barra pesadas, os que viram religiosos, os apaziguadores mas sempre com segundas intenções, os inconsequentes, os contrabandistas, adjetivos que se adicionam como complemento de seus caminhos errados fora dali.


A jornada do médico, uma clara referência à Drauzio Varella, percorre como elemento propulsor da narrativa, corre em paralelo a tudo que assistimos. Há crítica por todos os lados, principalmente aos tratamentos dos que necessitam ajuda naquele lugar. Sarna, Aids, Tuberculose, as condições precárias de tratamentos são mostrados aos montes, entre tragédias e relatos surpreendentes.


Com um grande orçamento para produções na época, que girou em torno de 12 milhões de reais, em filmagens que levaram um pouco mais de quatro meses para serem feitas na verdadeira prisão de Carandiru, o projeto conta com grandes nomes do cinema brasileiro: Wagner Moura, Caio Blat, Lázaro Ramos, Aílton Graça, Milton Nascimento, Luiz Carlos Vasconcelos, Rodrigo Santoro, Milhem Cortaz, Gero Camilo, entre outros.


Carandiru é uma daquelas obras do nosso cinema que jamais vão sair de temas de debates, um filme atemporal que mostra verdades de uma sociedade em eternos conflitos.



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