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Crítica do filme: 'Os Suspeitos' (1995)


O maior truque que o diabo já usou foi convencer o mundo de que ele não existia. Vencedor de dois Oscars, o filme que abriu as portas de Hollywood para o até então desconhecido cineasta Bryan Singer, é um drama policial que se mistura num intenso e surpreendente suspense com uma narrativa que busca seu potencial na importância dos detalhes. Uma sala de suspeitos, um caminhão roubado, a receita federal junto à Polícia querendo respostas, um grupo de pessoas que são induzidos à uma ação perigosa, esses elementos e alguns outros se reúnem num quase enigma a ser montado, peça por peça através de um interrogatório, flashbacks e um imprevisível narrador. Os Suspeitos é hipnotizante e a última cena se consolidou como uma das maiores reviravoltas da história do cinema.


Na trama, vamos vendo um interrogatório de um sobrevivente, criminoso, aleijado, de uma ação em um navio que deixou quase três dezenas de mortos questionado duramente por uma autoridade federal e também um outro sobrevivente numa cama de hospital, com o corpo tomado de queimaduras fazendo o retrato falado de quem seria o grande responsável pelo ocorrido. Assim, conhecemos a história de um grupo de experientes criminosos que são levados por autoridades policiais até uma sala de suspeitos da polícia de nova Iorque questionados por serem responsáveis por um suposto roubo de um caminhão com uma carga valiosa. Após esse encontro, eles planejam um outro crime, fato que os leva a cruzar o caminho de um alguém muito poderoso e temido, os levando para o protagonismo em um trabalho suicida à mando de um temível psicopata de quem ninguém nunca viu o rosto, conhecido por histórias de violência por todos os lados, uma espécie de bicho papão da criminalidade, Keyser Soze. Durante o interrogatório mencionado, as verdades vão começando a aparecer.


As surpresas de um roteiro que consegue o mérito de esconder suas verdades por um longo tempo. A estrutura narrativa desse projeto à princípio pode ser considerada bem corajosa, nada é muito simples por aqui. Da introdução até a conclusão, um desenvolvimento engenhoso com peças jogadas num tabuleiro proposto que começam a se locomoveram na direção de suas verdadeiras respostas através de sequências em paralelo que apresentam flashbacks através de um narrador (que está sendo interrogado) que se dedica a jogar o foco no detalhe, nas entrelinhas.


O responsável pelo espetacular roteiro é o norte-americano Christopher McQuarrie que depois ficou conhecido como diretor, inclusive ele dirigiu alguns dos últimos filmes da mais famosa franquia protagonizada por Tom Cruise: Missão: Impossível - Nação Secreta, Efeito Fallout e o mais recente Acerto de Contas - Parte Um. McQuarrie venceu o Oscar de Melhor Roteiro por esse longa-metragem. Filmado em um mês com um orçamento girando em torno de seis milhões de dólares, considerado de baixo orçamento para a época, o projeto faturou mais de vinte milhões em bilheteria.


Entre conflitos, violência, investigações policiais, dramas pessoais, quando rumamos para o fim, uma pergunta começa a fazer muito sentido: afinal, quem diabos é Keyser Soze? Para saber dessa resposta você deve assistir até os últimos segundos de projeção, e posso adiantar, vai valer a pena! Pra quem se interessar, o filme tem para aluguel por um precinho camarada no youtube e na google play filmes.



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