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Crítica do filme: 'Segredos do Passado'


Mesmo num longo tempo a verdade chega! Um homem e um peso no seu passado completamente ligado à uma tragédia que nunca mais conseguiu tirar de suas memórias. Uma cidade que parece não ter lei, onde a justiça com as próprias mãos se tornam ações reais baseadas em achismos nada profundos. Esses dois elementos, um espaço e uma pessoa, são as peças importantes de referências do longa-metragem Segredos do Passado, baseado no livro The Dry escrito pela jornalista e escritora Jane Harper e dirigido por Robert Connolly. Um suspense que prende a atenção do início ao fim.


Na trama, conhecemos Aaron (Eric Bana) um agente federal australiano que após saber da morte do melhor amigo em circunstâncias misteriosas resolve voltar para a cidadezinha onde foi criado, Kiewarra, no interior da Austrália, para ajudar a família do amigo a desvendar o crime. Só que ele não estava preparado para encontrar de frente seu passado e um outro mistério, ocorrido na sua adolescência, a morte de uma jovem, começa a encontrar suas verdades.


O lugar como personagem, a importância do destaque para o espaço. Um lugar há anos sofrendo fortemente com a seca, fato que gerou um desequilíbrio econômico em toda a comunidade, com famílias sofrendo com a falta de trabalho, de dinheiro, levando relações a conflitos intensos e distanciamentos cada vez mais recorrentes. Essa é Kiewarra, cidade fictícia criada por Jane Harper e peça fundamental no quebra-cabeça imposto sendo um pilar de justificativa, muitas vezes, para as inconsequências. As linhas do roteiro costuram muito bem a importância do lugar para a história.


Estariam o passado e o presente interligados? Como tornar uma narrativa nada entediante a partir de muitas peças fora do lugar? O principal mérito do roteiro é o de construir, entrelaçar, duas histórias ligadas a crimes misteriosos sem perder o foco na desconstrução de um protagonista acorrentado a um trauma no passado que tem a chance de enfim se libertar. A uma profunda análise em cima de Aaron, um homem em eterno conflito, que tem a chance de uma certa redenção de um fato que acabou com o relacionamento forte que tinha com o pai, que o afastou dos seus melhores amigos, o tornando uma pessoa fria completamente focada no trabalho.


Essas duas referências, o espaço (lugar) e o protagonista andam de mãos dadas dentro de uma narrativa que apresenta um ritmo intenso, que busca apresentar uma análise profunda de psicológicos corroídos pelo tempo, pelas tragédias, tendo como pano de fundo a caminhada por verdades escondidas.  

 


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