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Crítica do filme: 'Close'


A tragédia e o recomeçar. Indicado da Bélgica ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano passado, Close é uma jornada amargurada que coloca em dois lados de uma gangorra emocional em um recorte que escala de forma profunda as linhas tênues entre o amor e a amizade aos olhos da imaturidade. Segundo trabalho do cineasta Lukas Dhont, o projeto é pura emoção do início ao fim guiado por uma narrativa repleta de conflitos emocionais, confrontos que amadurecem, que apresenta o trauma e as maneiras de seguir em frente.


Na trama, acompanhamos a forte amizade entre adolescentes, Leo (Eden Dambrine) e Remi (Gustav De Waele) que andam juntos por todos os lados. Quando o primeiro começa a se afastar do segundo, um acontecimento trágico abala toda a cidade. Buscando forças para entender alguns porquês e seguir em frente, Leo enfrentará uma caminhada de aprendizado sobre o viver.


Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cinema de Cannes, o longa-metragem indicado para mais de 60 prêmios em todo o mundo diz muito pelas entrelinhas, e aí as interpretações são diversas. Assim podemos chegar em conflitos emocionais profundos que passam os protagonistas, dois amigos que fazem tudo juntos, que acabam sofrendo com o bullying, fato esse que se torna uma ruptura muito pela incapacidade de um deles de entender algumas questões. Mas qual os motivos para tal olhar malicioso?


A investigação sentimental, epicentro do discurso contundente que o roteiro transborda ganha novos olhares como as das famílias do jovens, principalmente da mãe de Remi, Sophie (Émilie Dequenne, em atuação impecável), uma mulher também em buscas de respostas precisando se reconstruir emocionalmente. Transformar em cinema o abstrato dos sentimentos não é algo fácil mas a narrativa posiciona elementos como se fossem mais alguns personagens. Um exemplo é a culpa, algo marcante por aqui, um elemento que frequenta as sequências, quase uma personificação das ações. Os diálogos entre Leo e Sophie sobre algumas dessas questões são de cortar o coração.


Sensível e impactante, Close, brilhantemente dirigido por Lukas Dhont, é uma caminhada rumo as aprendizados da vida que vai gerar interpretações diversas.



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