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Crítica do filme: 'O Sequestro do Voo 375'


Os momentos de tensão e as saídas em meio a uma crise inesperada. Dirigido pelo cineasta Marcus Baldini e baseado em fatos reais, O Sequestro do Voo 375 aponta sua direção para altas cargas de tensão, com cenas muito bem feitas e recortes de conflitos que se estendem ao longo de caóticas horas de medo que passageiros e tripulação de um voo comercial no Brasil vivenciaram no final da década de 80. Reunindo detalhes poucas vezes antes vistos, como uma manobra arriscada não reconhecida por alguns, a recriação do Boeing onde aconteceu a situação e artistas inspirados, a narrativa se volta no seu recorte sob o olhar do piloto não dando muitas margens para que outros conflitos possam se desenvolver.


Na trama, ambientada no final da década de 80 conhecemos um homem chamado Nonato (Jorge Paz), uma pessoa completamente descontrolada e insatisfeita com os rumos de sua vida que resolve planejar o sequestro de um voo comercial buscando mudar a rota do mesmo para a capital do Brasil e atingir o palácio do planalto. Cabe ao piloto Murilo (Danilo Grangheia), responsável máximo pelo voo, conseguir encontrar alguma saída para essa situação extrema.


A importância de conhecer o contexto político da época para entendermos os motivos do ato criminoso. Com o Brasil em crise, às vésperas de novas eleições presidenciais em um governo (do Sarney) com um pífio crescimento econômico e uma inflação altíssima jogando bem pra cima o preço dos produtos finais, a vida de milhares de trabalhadores foram afetadas. Dentro desse raio caótico de problemas no nosso país vão de encontro aos motivos de Nonato em realizar o sequestro. Esses porquês do sequestrador são colocados na narrativa de forma bem superficiais.   


Outro ponto que passa correndo são os absurdos das falhas de segurança que são vistos de forma implícita dentro de obviedades inacreditáveis como uma arma ir parar dentro de um avião comercial! As medidas de seguranças para voos, com todo certeza passaram por rigorosas modificações após esse incidente.


O clímax gira em torno dos conflitos que acontecem na cabine. Algo que se encaixa dentro de um dos objetivos, cumpridos com louvor, que era o de não perder a atenção em uma história onde já se sabia o final.  É até compreensivo um roteiro com total foco em um personagem, já que toda a força dramática está nas ações desse protagonista muito bem representado pelo ator Danilo Grangheia. A alta carga de tensão é mantida durante toda a projeção, a ótima produção técnica praticamente nos transporta para dentro daquela aeronave que marcaria para sempre a história da aviação brasileira.


O Sequestro do Voo 375 é um filme para ser visto no cinema, de preferência, em casa poderá não ser tão impactante. A produção, uma das mais caras dos últimos anos, estreou nos cinemas em dezembro de 2023 e logo deve estar disponível no catálogo da Star Plus.



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