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Crítica do filme: 'Beekeeper - Rede de Vingança'


Tiro, porrada, bomba e abelhas. Com um olhar superficial sobre cibercriminosos, organizações secretas, corrupção, que se abraça no mais do mesmo sem medo de ser feliz, Beekeeper - Rede de Vingança nos apresenta um invencível anti-herói estacionado em um recorte repleto de peças soltas que não foge do lugar comum, caminhando rapidamente rumo ao previsível. Rodado nos Estados Unidos e na Inglaterra, a maior parte na segunda, o projeto é protagonizado por um dos mais conhecidos astros de filmes de ação da atualidade, Jason Statham.

Na trama, conhecemos Adam Clay (Jason Statham), um introspectivo homem, apicultor, que aluga um espaço para sua criação de abelhas no terreno de uma simpática senhora. Quando essa mulher cai em um golpe pela internet, onde perde todas suas economias, Adam vai em busca dos criminosos e assim revelando seu passado como ex-membro de uma organização secreta e muito temida pelo alto escalão do governo (os Beekeepers). Com seus atos moralmente questionáveis sendo expostos a cada cena, nesse projeto acompanhamos a saga desse anti-herói rumo a sua vingança implacável.

A primeira coisa que nos perguntamos quando vemos o título do filme: qual o sentido aqui de Beekeeper? O que seria essa rede de vingança? Essas respostas, por mais incrível que pareça, simplesmente não existem no roteiro assinado por Kurt Wimmer. Essa falta de desenvolvimento das questões que giram sobre tal organização secreta praticamente anulam o caminhar dos conflitos dentro do arco dramático do protagonista.

Se formos comparar por exemplo com a saga John Wick, o primeiro ponto logo após o início dos conflitos do personagem interpretado por Keanu Reeves é uma apresentação objetiva de tudo que o contorna. É simples, quando uma peça fundamental não é desenvolvida, pontas soltas são vistas aos montes jogando o foco para uma ação sem freios. Exatamente o que acontece em Beekeeper - Rede de Vingança.

Desde sua estreia nos cinemas no final da década de 90, no ótimo longa-metragem de Guy Ritchie, Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, o ex-mergulhador profissional Jason Statham, que antes da fama, durante muitos anos, foi integrante da equipe nacional de mergulho da Inglaterra, esteve em inúmeras produções como coadjuvante até conseguir ser a estrela principal e um rosto muito conhecido. Pena que nesse filme, seu carisma é sugado e nem mesmo as tentativas de pausas dramáticas se encaixando entre um combate e outro salvam esse que é um do seus mais esquecíveis personagens da carreira.

O cineasta norte-americano David Ayer, responsável pela direção, tem filmes interessantes na sua carreira atrás das câmeras. Marcados para Morrer e Corações de Ferro, por exemplo, são projetos onde há um forte desenvolvimento dos personagens, uma desconstrução bem detalhada, um olhar para as fraquezas, algo bem pé no chão o que de certa forma aproxima o espectador pois flerta com a realidade. Não é o que acontece nesse seu novo projeto que muitas vezes, longe de qualquer complexidade narrativa, se resume as bem coreografadas cenas de ação e a banalidade de um personagem que simplesmente não se desenvolve.

 

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