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Crítica do filme: 'Uma Boa Pessoa'


O encarar a realidade sem os que foram. Buscando detalhar um recorte doloroso na vida de uma jovem que vê os rumos de seu destino mudarem abruptamente após uma tragédia, o longa-metragem, Uma Boa Pessoa, escrito e dirigido pelo ator e diretor Zach Braff reflete e emociona numa poderosa tentativa de chegada ao recomeço. O forte drama, que relata o fundo do poço, o luto, a culpa, o egoísmo que afasta, os conflitos emocionais de um esmorecimento, é mais um impactante projeto protagonizado por uma das melhores atrizes do momento, Florence Pugh, que ainda contribuiu com duas canções que cantou e escreveu: ‘The Best Part’ e ‘I Hate Myself’.

Na trama, acompanhamos Allison (Florence Pugh) uma mulher de 26 anos, radiante, que está num momento muito feliz de sua vida, prestes a se casar com o grande amor de sua vida. Só que um dia, uma tragédia acontece fazendo com que sua vida mude completamente. Tentando seguir em frente, meses após o ocorrido, seu destino novamente se cruza com o de seu ex-sogro, Daniel (Morgan Freeman), um ex-policial e também ex-alcoólatra. Ambos vão precisar se entender e buscar entendimento para curar feridas do passado.

A narrativa, repleta de simbolismos, nos faz embarcar em um caminho que parece sem volta para uma melancolia insistente aos olhos de um alguém que não consegue ter forças para bater de frente com as consequências. Sofrendo, destruída emocionalmente. As confidências com a mãe, o olhar da família, aqui sobre algumas perspectivas, nos levam a entender melhor as transformações que passam a personagem em uma linha do tempo de um ano. Florence Pugh brilha intensamente em um dos papéis mais difíceis de sua carreira.

O antes e o depois entram em choque para a personagem principal, e nesse ponto o roteiro busca seu ritmo sem perder a objetividade com flertes com alguns clichês, principalmente com o retorno em sua vida do sogro, um ex-combatente do Vietnã, de uma forma profunda ligado à tragédia que houve. Esse encontro é o elemento central, que dita o caminho para o arco dramático da protagonista. Tudo é mostrado em cena buscando transmitir as emoções e principalmente o estado emocional presente dos personagens, os paralelos são inúmeros para o olhar mais observador.

A premissa do encarar a realidade sem os que foram aproxima o espectador, já que essa história é sobre os seres humanos em seus momentos de incertezas, de fraquezas quando estão longe de encontrarem soluções. Quem nunca se sentiu no fundo do poço, não é mesmo? Uma Boa Pessoa entrou de forma discreta no catálogo da Prime Video em 2023, um poderoso drama que nos leva ao caos da dor incansável aliada a culpa no aguardo das brechas de esperança que podem ou não chegar.


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