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Crítica do filme: 'Caminhos da Sobrevivência'


Mais uma página dos horrores de uma guerra. Baseado em um livro chamado Wil do autor belga Jeroen Olyslaegers, o novo longa-metragem disponível no início de 2024 na Netflix, Caminhos da Sobrevivência, explora o caminho dos dilemas para retratar os labirintos das escolhas na visão de um jovem oficial da força policial em uma Bélgica ocupada pelos nazistas no início da década de 40.

Entre discursos inflamados e o ódio e perseguição aos judeus sendo vistos durante aquele presente, vemos um protagonista que sempre buscou fingir que nada acontece ter que ser impor e escolher um lado caminhando por uma estrada de medos e incertezas. Essa análise profunda do personagem embala uma narrativa detalhista, com ótima direção de Tim Mielants, que não precisa de completos desfechos para gerar reflexões.

Na trama, ambientada na cidade de Antuérpia no ano de 1942, conhecemos Wilfred (Stef Aerts) um jovem policial belga que se vê completamente perdido na sua função presenciando atos cruéis de nazistas que ocupam o lugar onde nasceu sem que o governo belga nada possa fazer. Quando seu destino cruza com o outro oficial, Lode (Matteo Simoni), esse último ligado à resistência contra os nazistas, um ato que causa a morte de um oficial nazista fazem esses dois personagens se envolverem em uma trama repleta de reviravoltas onde a iminência da tragédia para todos os lados se torna algo visível.

O contexto histórico daquele espaço e governo é ferramenta chave para um melhor entendimento do que vemos por aqui, algo que o roteiro não consegue transmitir, focando no recorte sem olhar para o todo. Mesmo neutro da Segunda Guerra, nada impediu que as forças nazistas tomassem suas regiões, principalmente após o aval unilateral do então rei Leopoldo III, algo que fora, no mínimo, mal visto por outros partes dos que ajudam a governar a Bélgica. Dentro desse arranjo, vemos os desenrolares desse filme.

Em Caminhos da Sobrevivência, essa visão belga para o conflito que estabeleceu escolhas na cidade cobiçada cidade portuária da Antuérpia, vemos uma busca pela sua estrutura numa análise profunda de um protagonista que está completamente perdido em suas aflições. O lado psicológico do personagem dentro de subtramas que se seguem, é um dos elementos destrinchados em ações e reações em diversos planos que realçam significados. A dor e as incertezas se tornam personagens frequentes numa época onde o confiar se torna uma variável de questão vital.

A infinidade de recortes a partir dos desenrolares da Segunda Guerra Mundial que viram produções cinematográficas é impressionante. E isso é muito importante! O cinema tem o poder de não deixar cair no esquecimento momentos importantes da história da humanidade.


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