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Crítica do filme: 'Heroico'


A iminência do desequilíbrio. Escrito e dirigido pelo cineasta mexicano David Zonana, em seu segundo longa-metragem na carreira, Heroico é um projeto que escancara as linhas tênues entre a disciplina e a punição na visão de um jovem soldado, no limite do descontentamento, que sofre com o treinamento e os atos sádicos e desumanos de um dos superiores. Exibido nos Festivais de Berlim, Sundance e San Sebastian do ano passado, o filme busca um retrato de um pesadelo, onde a violência é um elemento para uma série de tragédias.

Na trama, conhecemos Luis Nunez (Santiago Sandoval), um jovem que acabou de entrar em uma escola militar no México em busca de uma estabilidade e também do seguro médico militar para ajudar a mãe que luta contra uma avançada diabetes. Logo nos primeiros dias, se depara com abusos e situações constrangedoras de seu oficial direto Eugenio Sierra (Fernando Cuautle) e embarca em uma jornada sem volta com conflitos que se seguem.

Como lidar com os absurdos que presencia? Contendo cenas fortes em sua narrativa, utilizando o recurso do chocar para refletir, Heroico navega na desconstrução de um protagonista que se vê perdido, completamente afetado pelos abalos emocionais que sofre. A direção busca nos detalhes a crítica social contundente, algo que se aproxima a uma lupa constante dos precipícios dos limites morais.  

O universo militar ganha contornos na visão do recrutas, suas expectativas e quanto a essa rotina. Muitos estão ali por necessidade, pelos benefícios que essa vida pode entregar. O choque com a realidade que se apresenta é um banho de água fria, com a hipocrisia de oficiais rolando solta. As mãos sujas de sangue, acaba sendo apenas mais um capítulo dessa história que vira peça chave na iminência do desequilíbrio.

Heroico é um filme que causa impacto. Abre nosso refletir para valores morais e instituições que deveriam ser uma saída para quem quer uma mas acabam sendo um reflexo constante da sociedade.  


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