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Crítica do filme: ' Shirley para Presidente'


As lembranças que teremos amanhã, são reflexos dos esforços de hoje. Navegando por um momento marcante da política eleitoral norte-americana durante a década de 70, com jovens já aos 18 anos tendo a possibilidade pela primeira vez de participar do ato democrático que é a eleição, conhecemos um pouco da vida e personalidade de uma mulher buscando a oportunidade de fazer a diferença. Shirley para Presidente, escrito e dirigido por John Ridley, busca um retrato intimista de Shirley Chisholm, congressista de Nova Iorque por sete mandatos, em um país e época de fortes preconceitos. No papel principal, a excelente atriz Regina King.

Na trama, ambientada no início dos anos 70, conhecemos um pouco da história de Shirley Chisholm (Regina King), primeira mulher negra a ser eleita para o Congresso dos Estados Unidos, durante os sete meses de sua campanha para presidente no confuso sistema eleitoral norte-americano. Trazendo um olhar íntimo sobre essa parte de sua trajetória, a narrativa atravessa o preconceito e o machismo, as alianças políticas, os fortes discursos, os problemas familiares, de uma inesquecível mulher que buscava ser um importante catalisador de mudanças.

A importância do voto ainda mais num país onde desde 1800 e pouco possui um método de votação confuso e cheio de possibilidades para manobras políticas. O sistema político dos Estados Unidos é realizado de forma indireta, com a atuação de delegados em uma prévia eleição onde são escolhidos o colégio eleitoral que, esses sim, escolhem que governará a maior potência do mundo. Confuso? Sim, bastante!

Dentro do contexto apresentado acima, a narrativa busca um amplo recorte sobre a vida da famosa congressista, com ênfase no período mais marcante de sua trajetória política, durante toda sua campanha para presidente dos Estados Unidos passando pela convenção dos democratas. O papel que a sociedade impõe à mulher, o preconceito racial, traições políticas, tentativa de assassinato, se misturam com a própria vida pessoal de Shirley, uma mulher com uma relação conturbada com a irmã e, casada há quase duas décadas, enfrentando sérios problemas no casamento.

Com o preconceito e o machismo batendo na porta a todo instante durante uma trajetória vitoriosa de 14 anos no congresso norte-americano, país esse que ainda vivia em época de Guerra, a do Vietnã, Shirley para Presidente apresenta os fatos que marcou a trajetória de uma mulher, professora, política, que abriu portas e nunca deixou de lutar pela igualdade.


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