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Crítica do filme: 'Bayoneta'


Quando o trauma paralisa. Sendo duro e cru na maneira como demonstra um estado de arranhados conflitos emocionais que se somam com o tempo, aos olhos de um protagonista, que nada de braçadas na solidão, já no ponto de um despertar, essa co-produção México/Finlândia, Bayoneta caminha pelo recomeçar. Dirigido pelo cineasta queniano Kyzza Terrazas, através de uma composição quase sensorial de um personagem perdido em um impactante trauma, esse projeto nos apresenta os dramas de uma vida e o desabar de uma carreira. Destaque para a excelente atuação do ator Luis Gerardo Méndez.

Na trama, conhecemos o boxeador e medalhista olímpico mexicano Miguel 'Bayoneta' (Luis Gerardo Méndez) que após um trágico final de sua última luta, quando era visto como uma estrela em ascensão no esporte que escolheu, resolve se mudar para a Finlândia se distanciando de amigos e família. Nesse lugar, busca se reestabelecer emocionalmente quando uma nova oportunidade chega até ele.

Se distanciando de outros filmes sobre esportes, nesse projeto, rodado na cidade de Turku, na Finlândia, nos encontramos com o drama de um homem que após anos de dedicação para ser o melhor no que faz entra em choque com as desilusões, fato esse que o deixa em estado de total confusão, como se deixasse nas mãos do destino alguma indicação de novos caminhos. O lado psicológico do personagem é muito bem explorado, com seus altos e baixos constantes e a aflição de não conseguir se desprender do grande trauma de sua vida. O roteiro busca o dinamismo nessas mudanças abruptas do personagem, não conseguindo alcançar um clímax mas sendo linear no seu discurso.

Na busca de encontrar novos sentidos para sua ligação com seu ofício, num país completamente diferente do seu, embarca em busca do congelamento das próprias emoções mas a vida não percorre pelos passos simplistas, como demonstra muitas vezes a realidade. Nesse ponto a narrativa ganha destaque, aliada a uma direção competente, transforma a emoção em imagens e movimentos que impactam como se fosse um espelho do complicado abstrato dos sentimentos.


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