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Crítica do filme: 'Bogotá: A Cidade dos Sonhos Perdidos'


Chegou recentemente ao Top 1 da Netflix um filme que busca nas reviravoltas de um protagonista camaleônico prender a atenção do público. Trazendo uma história de um desmanchar dos sonhos aos olhos de um jovem que entra em total desconstrução sobre o que acredita, sugado para o único caminho que encontra: a criminalidade, Bogotá: A Cidade dos Sonhos Perdidos é um filme que se joga na melancolia, sem grandes momentos, mas que se fortalece nas razões humanas.

Na trama conhecemos o jovem sul-coreano Guk-hee (Song Joong-ki) que na virada do milênio, vai morar com os pais na Colômbia depois de um grave problema financeiro atingir seu país natal. Nessa nova terra, além do problemas com o frustrado pai, logo se associa a contrabandistas e acaba fazendo disso uma carreira que logo fica em ascensão rumo ao poder em meio ao inescrupuloso e impiedoso mundo do crime.

Contextualizando uma grave crise real ocorrida por economias que tiveram um rápido crescimento econômico no Século XX, algumas dessas também conhecidas como os Tigres Asiáticos, Bogotá: A Cidade dos Sonhos Perdidos aborda a imigração numa terra que apresenta alguns tipos de oportunidades. Indo de forma profunda no lado humano e as transformações sobre o que se acredita num primeiro momento, tem arcos dramáticos convincentes em um roteiro que navega pelas razões morais a todo instante.

Dirigido pelo cineasta Kim Seong-je, o projeto tenta elucidar alguns porquês do protagonista de forma rasa e até certo ponto corrida por mais que o desenvolvimento do protagonista seja satisfatório. O julgar, o ponderar e o agir são elementos que ganham força e parecem uma ordem a ser seguida. Dentro de um show de transformações emocionais, não dúvidas sobre a boa direção de Seong-je.  

A figura central do projeto é uma vítima de uma situação num primeiro momento, quando abre janelas de oportunidades, vemos um fator de se adaptar que acaba se sobrepondo a própria índole. Indo por esse norte, esse filme pode ser visto por muitas pessoas como um recorte sociológico e também econômico de uma época de incertezas.

Convencional e com uma narrativa que empolga apenas em alguns momentos, esse é um daqueles longas-metragens que mostram os quebra-molas em relação a moral quando o mundo parece ter somente um caminho.

 

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