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Crítica do filme: 'Os Altos e Baixos do Amor'


A beleza de Gotland - maior ilha da Suécia - é o plano de fundo da inocente comédia da Netflix, Os Altos e Baixos do Amor. Cheio de baladas românticas, com os conflitos culturais entre o campo e a cidade ganhando força, o longa-metragem com cerca de 90 minutos é uma leve viagem pelas emoções que estaciona na superfície dos conflitos familiares de uma quase união.

Samuel (Charlie Gustafsson) é um jovem chef em ascensão, já dono de restaurante, que encontra o amor em Hannah (Matilda Källström). Mesmo com pouco tempo juntos, resolvem se casar. A cerimônia é na casa dos pais dele e lá vão enfrentar alguns embates com os sogros querendo ajudar o grande dia.

Escrito e dirigido por Staffan Lindberg essa comédia busca no seu alto-astral tapar os buracos de um roteiro sem ambições pra maiores desenvolvimentos. As subtramas são praticamente nulas, evoluções emocionais (arcos dramáticos) com contribuições simplistas, personagens sem carisma dentro de um escopo limitado as expectativas de um casamento. Convencional até seu último minuto, com uma narrativa igual a tantas outras por aí, se consolida como uma nada chamativa trama ‘água com açúcar’.

Filmado em Estocolmo, mesmo ambientado na já mencionada ilha, o lugar parecia ter mais história pra contar mas trava numa sonolenta e muito batida rivalidade sobre costumes entre o campo e a cidade. Durante a época Viking, o Gotland foi um ponto importante de comércio com inúmeros tesouros cobiçados, mas nesse filme - longe de grandes contextos - se resume a uma região limitada e simples com a economia baseada na agricultura.

Chegando ao Top 10 da Netflix no Brasil, Os Altos e Baixos do Amor usa do escudo da já recorrente disputas com sogros se moldando em uma série de situações nada atrativas tendo o amor como resolvedor de todos os problemas. Um filme que você assiste e logo esquece.

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