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Crítica do filme: 'Fight or Flight'


Você pode chamar a atenção com um filme de várias formas. Uma delas é reunir no pacote vários clichês de um gênero cinematográfico e criar sem limites uma história que atira para todos os lados. Se isso vai dar certo ou não, aí é preciso analisar outras variáveis. No curioso novo filme do catálogo da Prime Video, Fight or Flight, tem um pouco de tudo quando liga-se um liquidificador de loucuras marcado pelo humor perturbado - e por partes sem sentido - onde acompanhamos horas tensas de um carismático protagonista em busca de uma volta pra casa.

Lucas (Josh Hartnett) é um ex-agente da CIA que após uma situação em uma missão é praticamente retirado do sistema, conseguindo abrigo em Bangkok. Anos se passam e ele recebe um telefonema de Katherine (Katee Sackhoff), uma ex-namorada e atual chefona de uma rede poderosa que está com um enorme problema. Tendo em vista a possibilidade de voltar para casa, Lucas resolve aceitar um trabalho perigoso que só se complica quando entra em um avião repleto de assassinos impiedosos.   

O roteiro escrito por Brooks McLaren e D.J. Cotrona não tenta ser igual a tantos outros, busca sua originalidade, reunindo ideias batidas de filmes de ação e transformando numa locomotiva de possibilidades que logo se prende como chiclete em um discurso esporrento. O tempo certo da comédia em meio ao banho de ação é cirúrgico, a cereja do bolo tanto desejada pelas produções. Quando o entretenimento chega exatamente do fato de não se levar a sério, sempre encontramos pontos interessantes e que de alguma forma chama a atenção do público.

James Madigan, em seu primeiro trabalho como diretor de longas-metragens, vem de uma carreira com mais de 25 trabalhos na parte de efeitos visuais. Essa experiência nessa parte importante do processo cinematográfico é vista a todo momento. Com uma direção segura e bastante criativa, transforma – principalmente os atos finais dessa história - em um baile divertido tendo mentes perturbadas na frente das ações. Em relações as atuações, vale o destaque para Josh Hartnett, hilário no papel.

Com sangue por todos os lados, coreografias fantásticas, o clima de tensão debochado logo vira um show de maluquices onde acompanhamos o anti-herói e seus problemas na insistência de não desistir. Os estereótipos imersos nas ironias das paródias se grudam como chicletes em paralelos também com os clichês mais batidos do mundo, uma fórmula que encaixa como uma luva. Nesse show chamativo de um aparente desencontro acaba nascendo um filme eficiente que tem tudo para virar uma franquia.


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