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Crítica do filme: 'Nonnas'


Nada como o cheirinho que traz lindas lembranças. Partindo da dor do luto encontrando forças para um despertar de uma veia empreendedora, o novo trabalho do cineasta Stephen Chbosky (diretor dos emocionantes As Vantagens de ser Invisível e Extraordinário) chega para conquistar nossos corações através da culinária. Baseado na vida de Joe Scaravella, Nonnas, lançamento da Netflix desse início de maio, tem um leque de personagens carismáticos que se encontram em um roteiro que reflete sobre amor, família, tradição e redescoberta da vida.

Joe (Vince Vaughn), um simpático homem de meia idade que trabalha com consertos automotivos, acaba de perder a mãe. Nesse momento de luto, lembranças das comidas que ela e sua vó faziam dominam suas lembranças. Um dia, com o dinheiro da herança, resolve comprar um restaurante e fazer dele um lugar especial. Para isso, contará com a ajuda de amigos de longa data e quatro mulheres na melhor idade que tem receitas deliciosas para atrair o público.    

O clima fúnebre dos primeiros minutos desse projeto – bem escancarado pela paleta de cores frias remetendo a tristeza e isolamento – vão de encontro a necessidade de solitude imerso na desgraça do luto. Dentro dessa razão existencial, algo que todos nós vamos passar em algum momento de nossas vidas, um renascer logo se apresenta através das memórias de família. Junto a isso, todas as formas de amores de uma vida se encontram em mesmo momento e a maneira como somos conduzidos a descobrir os temperos dessa história fazem toda a diferença.

Em uma simpática narrativa que explora com eficiência os caminhos de um renovar, da euforia até os desencontros, mensagens bonitas são vistas a todo instante. Se distanciando de qualquer pretensão, ou forçar situações, o desenvolvimento do protagonista e do restante dos personagens andam em harmonia. Assim, abre-se espaço para ótimos temas se desenvolverem, como: questões relacionadas a melhor idade, os caminhos até o empreender, até mesmo raízes e rivalidades em uma nova Iorque plural.

Mesmo esbarrando em clichês dos mais banais, prevalece a força de contar com simpatia uma história baseada em partes reais que remete ao passado e chega por memórias. O amor por cozinhar, a comida de vó, ganham o reforço do entusiasmo de uma alegria contagiante e que logo se iluminam – agora com cores quentes - nos atos finais. Nonnas é aquele filme que além de despertar a fome pode nos levar de volta para cantinhos esquecidos da nossa própria trajetória.


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