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Crítica do filme: 'Afterimage'

A imagem deve ser aquilo que você absorve. Escrito e dirigido pelo grande Andrzej Wajda, Afterimage , conta nessa cinebiografia a história sofrida de um dos maiores pintores da Polônia, um homem que criou o primeiro museu de arte moderna da Polônia, o segundo da Europa. Encontrando seu destino, escolhendo seu caminho, viveu obstáculos navegando em pensamentos ligados à natureza e ao centro de atenção que nos levam a observação. O roteiro é primoroso, caminhamos em uma Polônia quase destruída intelectualmente, Wajda capta magistralmente a dor e o sofrimento de maneira tão inversa ao superficial, um retrato marcante que fecha com chave de ouro a filmografia de um dos maiores diretores da Europa oriental. Na trama, vencedora do Grande prêmio do Júri no último Festival de Cinema da Polônia, conhecemos parte da trajetória do pintor polonês Wladyslaw Strzeminski (interpretado pelo excelente Boguslaw Linda, em atuação inspirada), professor carismático e inspirador, parte de um seleto g...

Crítica do filme: 'Nu'

Dirigido por um especialista em filmes/sátiras oriundos de blockbusters, o cineasta Michael Tiddes ( Cinquenta Tons de Preto, Inatividade Paranormal ) chegou a netflix tempos atrás com seu novo trabalho, Nu , uma comédia repleta de situações absurdas com uma pegada Feitiço de Tempo, completamente bipolar. No papel principal, o comediante bastante famoso Marlon Wayans ( As Branquelas, Todo Mundo em Pânico ), que tanta a todo instante provocar risos no espectador com seu limitado personagem que se mete em uma situação diferente, só vista em filmes. Na trama, conhecemos Rob (Marlon Wayans), um professor substituto que não quer se dedicar tanto ao trabalho e lá se vão anos. Sua noiva, Megan (Regina Hall), uma médica de sucesso vinda de uma família de um grande empresário Sr. Swope (Dennis Haysbert), acredita que Rob um dia irá mudar e o defende de sua família. Assim, os apaixonados resolvem casar. Chegando no grande dia do casamento, uma situação, no mínimo, inusitada acontece: Rob...

Crítica do filme: 'Um Filme de Cinema'

O lugar onde nossos sonhos vivem e que o projetor é acionado pela emoção. Decifrando métodos e pensamentos de grandes nomes do cinema atrás das câmeras, o brilhante homem de cinema - falar que ele é apenas diretor seria muito pouco - Walter Carvalho nos apresenta, por meio de depoimentos marcantes de grandes nomes do cinema mundial, as brechas da realidade, as flechas do tempo, o imperativo do ritmo, pessoas que nos levam a magia na tela lisa onde sonhos e pensamentos são colocados. A poesia das primeiras imagens já colocam o espectador com os olhos atentos a uma série de argumentos, quase um aulão de ‘pré vestibular cinéfilo’. Entre um pensamento e outro, o escritor Ariano Suassuna e suas deliciosas experiências vendo filme em cinemas emblemáticos do sertão. Há uma poesia de plano de fundo, alguns dirão inexplicável. Nessa grande homenagem a todos que amam a sétima arte, que teve mais de uma década de planejamento e filmagens, Walter Carvalho busca os diferentes motivos que int...

Crítica do filme: 'Love Film Festival'

O começo de um fim que já começou perto de acabar. Dirigido por quatro cineastas diferentes,  cada um em um país onde foi rodado, com direção geral de Manuela Dias, Love Film Festival é uma singela metáforas sobre o amor, um recorte na vida de duas pessoas, seus encontros e seus distanciamentos pelas escolhas que fazem. O roteiro é inspirador, parece que conversa com o espectador a todo instante, deixando sempre a necessidade em nossos corações de saber o final dessa saga. Uma trilha sonora afiada que comanda o centro das sequências ajuda a dar o ritmo nessa história de amor cheia de idas e vindas, como tantas outras que conhecemos na realidade. Na trama, conhecemos Luzia (Leandra Leal) e Adrian (Manolo Cardona), dois profissionais da indústria do cinema, uma brasileira e um colombiano que durante anos e mais profundamente em quatro festivais se conhecem profundamente e vivem um conto moderno de amor, decepção e oportunidades. Ao longo dos anos, vamos conhecendo melhor os p...

Crítica do filme: 'Que Dios nos Perdone'

A razão e a inconsequência. A inconsequência e a razão. Indicado em categorias importante no último prêmio Goya, Que Dios nos Perdone (sem previsão de estreia no Brasil) é instigante, investigativo e que detalha as feridas emocionais dos personagens captadas pelas lentes inteligentes de Rodrigo Sorogoyen, diretor do longa. Ao longo de um pouco mais de duas horas de projeção, somos envolvidos em um thriller alucinante com grandes atuações onde cada peça do quebra cabeça vai aparecendo aos poucos em meio aos conflitos morais e psicológicos dos investigadores de casos de assassinatos interligados.   Na trama, conhecemos os investigadores da divisão de homicídio da polícia espanhola Velarde (Antonio de La Torre) e Alfaro (Roberto Álamo), uma dupla totalmente diferente em relação a personalidade que precisam buscar a prisão de um serial killer de idosas em meio a chegada do papa bento XVI na Espanha. Lutando contra seus próprios demônios internos, por conta de suas personalidades...

Crítica do filme: 'O Estranho que Nós Amamos'

As tensões das emoções guardadas e suas erupções abruptas nas tomadas de decisão. Ganhadora do prêmio de melhor diretora no último Festival de Cannes por este trabalho, a cineasta norte americana Sofia Coppola (dos ótimos As Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros ) volta para atrás das câmeras após o polêmico Bling Ring: A Gangue de Hollywood para mostrar ao público uma história de época, já filmada pelo grande Don Siegel na década de 70 (e estrelada por Clint Eastwood), que fala sobre a tentação em muitas escalas explorada por um profundo isolamento social em época de guerra. Na trama, ambientada durante a Guerra Civil Americana, durante uma caminhada próxima ao portão de onde mora, uma das moças de uma espécie de um internato feminino encontra um soldado da União chamado McBurney (Colin Farrell) que está ferido e à beira da morte. Querendo ajudar, a moça leva o soldado para o internato comandado por Miss Martha (Nicole Kidman) onde recebe todos os cuidados para sua brev...

Crítica do filme: 'Real - O Plano Por Trás da História'

Money, Money, Money , Money. Plano real, bastidores da política brasileira de governos confusos passados, ritmo alucinante, as verdades ou não. Real - O Plano Por Trás da História , filme bastante polêmico que estreou no circuito brasileiro de exibição faz poucas semanas, chegou recheado de pedras lançadas por muitos por conta do momento de turbulência política que se encontra nosso amado país nos dias atuais. Falando de cinema, o longa metragem dirigido pelo cineasta Rodrigo Bittencourt, opta por dar evidência a um dos maiores economistas que o Brasil já viu, mesmo esse não sendo figura totalmente central (era mais um integrante da equipe) nos fatos ocorridos na realidade. O roteiro possui inflexões ligadas ao ritmo alucinante imposto.  Como um repórter apressado em busca de soltar uma notícia antes de apurar, para não deixar dúvidas, com um grande pente fino no que houve, o filme deixa brechas não preenchidas e principalmente argumentos superficiais.   Na trama, conhe...