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Crítica do filme: 'Walachai'

O tempo e seu ritmo lento. Para contar a história de uma população esquecida no ciclo temporal, a diretora brasileira Rejane Zilles volta ao seu passado resgatando as tradições e costumes de um lugar longínquo denominado Walachai . Afastado 100 quilômetros de Porto Alegre,  comunidade é basicamente um cantinho alemão no Brasil. Lá quase não existe telefone, sinos ditam o toque de recolher e trabalhar se consegue apenas de maneira natural, oriunda das plantações de verduras ou na única fábrica da cidade. Walachai é um retrato de uma memória que o tempo se esqueceu de contar. Uma comunidade que não esquece suas origens e não conhece os impactos da globalização que enfrentamos diariamente nos grandes centros. A simplicidade adotada no cotidiano é de se admirar. Na questão da alfabetização das crianças, todos chegam ao colégio falando alemão transformando o português como uma língua de apoio, uma espécie de ‘step comunicativo’. São diversos elementos que são envoltos personage...

Crítica do filme: 'Réquiem para Laura Martin'

A decadência emocional de um músico, a intensidade carnal entre dois corpos e o silêncio entre uma nota e outra são partes exploradas no confuso filme Réquiem para Laura Martin . Dirigido pela dupla de cineastas Luiz Rangel e Paulo Duarte, o drama nacional tem seríssimos problemas em seu roteiro. O público se sente perdido, bocejos serão frequentes. O filme tem vários falsos finais, o que só prolonga o martírio que o espectador é contemplado. Na trama, somos conduzidos aos amores e tragédias de um famoso maestro (Anselmo Vasconcelos) que sofre por um amor louco e obsessivo pela sua compositora preferida, Laura Martin (Ana Paula Serpa). Essa relação circula em joguinhos sexuais intensos, diálogos picantes e um triângulo amoroso que é surpreendentemente imposto pela mulher do músico, passiva por si só, que engole seco todos os absurdos que o marido lhe faz passar por conta da amante. Na história com aroma melancólico do homem que busca na dor um reencontro, a personagem mais ...

Crítica do filme: 'O Reino Escondido'

Dirigido por Chris Wedge (que dirigiu A Era do Gelo ao lado do cineasta brasileiro Carlos Saldanha) O Reino Escondido possui uma técnica de apuração apurada, personagens que beiram a um certo carisma comedido porém deveras excêntricos. O foco da trama de divide em questões próprias para a criançada e questões que só os adultos entenderão. Os dois tipos de interação passam pelo pai malucão da personagem principal que possui barulhos de morcegos em seu Ipod. Na trama, conhecemos uma jovem que resolve passar um tempo na casa de seu pai, um aficionado por plantas e pela natureza. Certo dia, após quase ir embora, descobre um reino encantado e protegido por corajosas criaturinhas denominadas homens folhas. Assim, uma aventura começa com o objetivo de proteger o reino dos seres mágicos. A trilha sonora se destaca, belíssimas canções. Entre as muito bem produzidas cenas a história volta e meia é esquecida mas o ritmo acelerado, principalmente nas cenas de ação deixam o público com ...

Crítica do filme: 'Faroeste Caboclo'

Com apenas uma letra gigante de uma música emblemática do genial Renato Russo, o diretor René Sampaio topou o desafio de transformar a canção em filme, o resultado disso é o interessante Faroeste Caboclo , um filme sobre um homem que nasceu com muitas contas para acertar. Desde a infância pobre vemos a esperança no olhar do protagonista, interpretado de maneira espetacular pelo ator Fabiano Boliveira. Com direito a flasbacks, muito bem inseridos na trama, sobre a infância de João de Santo Cristo somos guiados ao mundo das drogas e do preconceito além da paixão, criando uma espécie de Romeu e Julieta de Brasília. Na trama, ambientada em Brasília anos atrás, conhecemos João de Santo Cristo, um homem com um passado pobre, talentoso carpinteiro mas com poucas oportunidades na vida. Certo dia, resolve ir ao encontro de um primo estrangeiro que mora no coração do Estado onde vive. Juntos, começam a entrar no tráfico de drogas, já existente na região. Quando tudo se encaminhava da man...

Crítica do filme: 'Uma Ladra sem Limites'

Dirigida por Seth Gordon, que dirigiu o divertido Quero Matar Meu Chefe , volta as telonas com o bem abaixo da média Uma Ladra sem Limites. O filme é uma imperfeição completa. Roteiro, direção, elenco nada se encaixa. Entre os protagonistas, é difícil saber quem está pior, Jason Bateman ( Relação Explosiva ) ou Melissa McCarthy ( Missã: Madrinha de Casamento ). É uma típica comédia Hollywoodiana que mais parece um show de horrores. Na trama, escrita por Steve Conrad e Steve Conrad ( À Procura da Felicidade ) e Craig Mazin ( Se Beber, Não Case! Parte 2 ), acompanhamos a vida de um homem, pai de família, que possui um nome unissex, Sandy. Por conta disso, descobre que teve a identidade roubada por uma pessoa longe de onde mora. A partir daí, começa-se uma viagem muito louca que envolve uma trambiqueira, um caçador de recompensas e muitas confusões. As histórias que correm em paralelo, as chamadas subtramas, são muito mal exploradas, deixando o espectador sem entender o sentid...

Crítica do filme: 'O Sonho de Wadjda'

Ganhador de elogios ao redor do mundo, desembarcou no Brasil o drama O Sonho de Wadjda. Tendo influência do clássico da década de 40, O Ladrão de Bicicletas , de Vittorio De Sica ( Desejos Proibidos ), o longa fala sobre a destemida juventude que calça All Star e com uma mescla de inteligência e sabedoria consegue burlar qualquer símbolo de prepotência de uma sociedade machista no tempos atuais. Passando pelos costumes distantes, culturalmente, religiosamente e socialmente aceitos pelos sauditas, descobrimos a história de uma corajosa menina chamada Wadjda que possui entre muitos sonhos, o desejo de ter uma bicicleta. Diante do complicado objetivo, a menina moradora do subúrbio de Riade precisará passar por cima, sempre com muito inteligência, de tradições e restrições que as mulheres sofrem em seu país. A forma como a menina enfrenta o senso comum da cidade onde vive é a grande fonte de inspiração do filme escrito e dirigido pela cineasta Haifaa Al-Mansour. Valente e objet...

Crítica do filme: 'O que se move'

Vindo do mundo dos curtas metragens, o diretor Caetano Gotardo traz a angústia como principal foco no profundo drama O que se Move . Após rodar o Brasil em sessões de festivais e apresentações isoladas para todos os tipos de público, o novo trabalho de Gotardo chega aos cinemas brasileiros nesta semana mostrando uma ousadia particular fugindo dos padrões das produções nacionais. Na trama, conhecemos três famílias, três histórias, três dramas. Uma notícia inesperada, a angústia de um pai e um constrangimento imposto pelo destino. Cada parte possui suas particularidades e foram transformadas para a telona a partir de histórias, no caso três notícias isoladas, que aconteceram na vida real. O que se Move tem o freio de mão puxado, se fortalece nos acontecimentos e em um recurso musical no desfecho de cada história, com certeza, uma jogada arriscada do corajoso diretor. O trabalho do cineasta capixaba faz reflexões sobre a vida, o sexo e a sociedade. Mas a narrativa muito lenta...