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Mostrando postagens de setembro, 2025

Crítica do filme: 'Assalto à Brasileira' [CineBH 2025]

Você sabia que, há quase 40 anos atrás, mais precisamente na cidade de Londrina, ocorreu um dos maiores assaltos a banco da história do Brasil? Jogando luz para alguns curiosos desenrolares desse evento, o novo longa-metragem do experiente cineasta José Eduardo Belmonte, Assalto à Brasileira , recria essa ação com toques certeiros de comédia, sob o ponto de vista de uma peça importante: um jornalista recém-demitido que acabou sendo um elo entre criminosos e a polícia. Exibido no último dia de programação do CineBH 2025, o filme mergulha nos detalhes que compuseram as intermináveis horas de tensão, mas chega de forma leve para o público pelo foco nas trapalhadas e inexperiências dos personagens envolvidos. Há sempre um risco ao compor sugestões desse tipo: no fim das contas, os ladrões acabam despertando uma torcida – algo que, de fato, ocorreu com boa parte da população na época. Aqui, porém, é completamente justificável esse espírito de ‘Justiça Social’, já que o embate entre siste...

Crítica do filme: 'Dormir de Olhos Abertos'

Exibido no Festival de Berlim no ano passado, Dormir de Olhos Abertos é um fascinante retrato sociológico e, na mesma proporção, desafiador. Trazendo um olhar de fora para realidades sociais e culturais de nosso país, o intrigante longa-metragem, em seu ritmo lento, constrói paralelos de emoções por meio de uma melancolia que atinge os destinos que se cruzam. Dirigido pela cineasta alemã Nele Wohlatz , ao longo de 90 minutos, acompanhamos uma turista estrangeira que vem passar férias no nordeste brasileiro, mais precisamente na cidade de Recife. Sua jornada logo se cruza com a de um vendedor de guarda-chuvas desiludido. Ao longo do tempo, a protagonista encontra também outros personagens que a ajudam a tentar compreender melhor esse lugar. Saindo totalmente da curva de qualquer concepção habitual, a arriscada narrativa pulsa através de um meticuloso olhar silencioso, dos detalhes nas entrelinhas e dos sentimentos que logo se tornam conflitantes para uma estrangeira oriental em sua...

Crítica do filme: 'O Clube do Crime das Quintas-Feiras'

Mesmo com o suspense em segundo plano, a nova comédia da Netflix O Clube do Crime das Quintas-Feiras é aquele passatempo gostoso em que nem percebemos o tempo passar. Trazendo a melhor idade para frente dos holofotes, acompanhamos os risos e aventuras de um grupo de pessoas que enxergar na fatalidade uma oportunidade de se sentirem vivos. A divertida narrativa nos conduz pela acidez da violência em contraponto ao olhar com delicadeza sobre uma fase da vida em que os suspiros de aventuras se tornam oportunidades que não podem ser deixadas passar. Assim, em uma mistura de tensão e humor, somos recompensados com uma trama que ainda consegue deixar lições por todos os lados. Com atuações maravilhosas e um ritmo equilibrado, percorremos a história de um grupo de pessoas na melhor idade que vivem em um enorme lar e se reúnem para refletir sobre crimes. Até que, um dia, um assassinato acontece bem próximo a eles, levando-os a embarcar pelas verdades sobre o ocorrido. Dirigido por Chris...

Crítica do filme: 'A Seita'

As defesas contra o medo em mundo de vulnerabilidades emocionais. Chegou ao catálogo da HBO MAX um filme que traz à tona um assunto complexo e cheio de camadas - debates sobre o indivíduo, o coletivo e o comportamento em contextos sociais. Até aí, tudo interessante, mas a narrativa se joga em clichês, transformando bons debates em um foco na birra de uma adolescente mimada, que se deixa levar por ideias malucas de uma seita. A Seita parte de uma premissa promissora, mas se transforma em um desfile de desperdícios. Ben ( Eric Bana ) é um psicólogo social e professor, com feridas no passado, que vai morar na Alemanha após o divórcio. Uma série de acontecimentos estranhos começam a acontecer na sua nova cidade, provavelmente ligados a uma seita comandada pela enigmática Hilma ( Sophie Rois ). Ao mesmo tempo, sua filha Mazzy ( Sadie Sink ) chega dos EUA para passar um tempo com ele e logo é alvo dos responsáveis pelos acontecimentos macabros na cidade. Escrito e dirigido pela cineasta ...

Pausa para uma série: 'Dexter: Ressurreição'

É muito bom rever personagens que, de muitas formas, preencheram a história das séries nas últimas décadas. Nesta nova temporada - de uma franquia que se reinventa sem perder a essência - voltamos a encontrar o anti-herói favorito dos amantes das séries, Dexter , agora num novo habitat. Mais solto e confuso em relação a seus códigos, revela uma faceta interessante e imprevisível de seu lado emocional, que acaba guiando a estrutura base dos dez episódios - intensos, divertidos, tensos, e como não podia deixar de ser: sangrentos. Marcos Siega e Monica Raymund - a dupla responsável pela direção dos episódios - entregam um trabalho bastante competente, conduzindo o público a um espaço cheio de possibilidades e referências ao passado do protagonista, onde a narrativa afiada fisga nossos olhos a todo momento. Pra onde quer que olhemos, encontramos pistas para futuros desdobramentos, preenchido também com personagens complementares certeiros, que também ganham seus minutos valiosos de pro...

Pausa para uma série: 'Duas Covas'

Uma obra audiovisual em que nada é o que parece. Assim podemos começar a falar de Duas Covas , a nova minissérie espanhola que alcançou ao Top 1 da Netflix logo em sua semana de estreia. Apesar de apresentar um episódio piloto apenas morno, consegue encontrar um rumo interessante quando mete o pé no acelerador numa trama que aposta nas surpresas escondidas pelo caminho. No papel principal, a ótima Kiti Máver da vida a uma avó angustiada que liga o modo detetive na busca da neta. Isabel ( Kiti Mánver ) é um senhora aposentada que vive numa confortável casa no alto da belíssima cidade de Frigiliana, na província de Málaga. Tudo ia bem em sua vida até o dia fatídico em que sua neta preferida desapareceu, junto de uma amiga - filha do mafioso Rafael ( Álvaro Morte ). Anos após o ocorrido, ainda em busca de informações sobre o que aconteceu, Isabel começa a descobrir peças importantes desse quebra-cabeça. O clima de suspense é constante, com a imprevisibilidade dos personagens se torna...

Crítica do filme: 'Devo'

Pode ser que você – assim como eu – nunca tenha ouvido falar de uma banda formada no início da década de 1970 que, misturando música, teatro e principalmente, filosofia, conseguiu alçar voos dentro do movimento New Wave. Pioneiros no foguete de visibilidade que foi a MTV, o Devo, como eles próprios se definem, incompreendidos, merece ser redescoberto! E esse é justamente o trunfo de um documentário que acabou de chegar à Netflix. Com um idealismo surgido há 50 anos, em meio a um cenário caótico dos EUA - em plena guerra do Vietnã - e refletindo cada vez mais sobre a arte como instrumento de ideias, por qualquer meio que seja, um grupo de amigos da Universidade de Kent State despertou para sua própria ideia após o absurdo assassinato de quatro estudantes. Com raízes no art rock, logo assumiram um viés subversivo, sem nunca perder a identidade: pensando de forma crítica, decidiram se expressar através da música. O documentário Devo nos leva desde o início até os dias atuais dessa ba...