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Mostrando postagens de maio, 2013

Crítica do filme: 'Walachai'

O tempo e seu ritmo lento. Para contar a história de uma população esquecida no ciclo temporal, a diretora brasileira Rejane Zilles volta ao seu passado resgatando as tradições e costumes de um lugar longínquo denominado Walachai . Afastado 100 quilômetros de Porto Alegre,  comunidade é basicamente um cantinho alemão no Brasil. Lá quase não existe telefone, sinos ditam o toque de recolher e trabalhar se consegue apenas de maneira natural, oriunda das plantações de verduras ou na única fábrica da cidade. Walachai é um retrato de uma memória que o tempo se esqueceu de contar. Uma comunidade que não esquece suas origens e não conhece os impactos da globalização que enfrentamos diariamente nos grandes centros. A simplicidade adotada no cotidiano é de se admirar. Na questão da alfabetização das crianças, todos chegam ao colégio falando alemão transformando o português como uma língua de apoio, uma espécie de ‘step comunicativo’. São diversos elementos que são envoltos personage...

Crítica do filme: 'Réquiem para Laura Martin'

A decadência emocional de um músico, a intensidade carnal entre dois corpos e o silêncio entre uma nota e outra são partes exploradas no confuso filme Réquiem para Laura Martin . Dirigido pela dupla de cineastas Luiz Rangel e Paulo Duarte, o drama nacional tem seríssimos problemas em seu roteiro. O público se sente perdido, bocejos serão frequentes. O filme tem vários falsos finais, o que só prolonga o martírio que o espectador é contemplado. Na trama, somos conduzidos aos amores e tragédias de um famoso maestro (Anselmo Vasconcelos) que sofre por um amor louco e obsessivo pela sua compositora preferida, Laura Martin (Ana Paula Serpa). Essa relação circula em joguinhos sexuais intensos, diálogos picantes e um triângulo amoroso que é surpreendentemente imposto pela mulher do músico, passiva por si só, que engole seco todos os absurdos que o marido lhe faz passar por conta da amante. Na história com aroma melancólico do homem que busca na dor um reencontro, a personagem mais ...

Crítica do filme: 'O Reino Escondido'

Dirigido por Chris Wedge (que dirigiu A Era do Gelo ao lado do cineasta brasileiro Carlos Saldanha) O Reino Escondido possui uma técnica de apuração apurada, personagens que beiram a um certo carisma comedido porém deveras excêntricos. O foco da trama de divide em questões próprias para a criançada e questões que só os adultos entenderão. Os dois tipos de interação passam pelo pai malucão da personagem principal que possui barulhos de morcegos em seu Ipod. Na trama, conhecemos uma jovem que resolve passar um tempo na casa de seu pai, um aficionado por plantas e pela natureza. Certo dia, após quase ir embora, descobre um reino encantado e protegido por corajosas criaturinhas denominadas homens folhas. Assim, uma aventura começa com o objetivo de proteger o reino dos seres mágicos. A trilha sonora se destaca, belíssimas canções. Entre as muito bem produzidas cenas a história volta e meia é esquecida mas o ritmo acelerado, principalmente nas cenas de ação deixam o público com ...

Crítica do filme: 'Faroeste Caboclo'

Com apenas uma letra gigante de uma música emblemática do genial Renato Russo, o diretor René Sampaio topou o desafio de transformar a canção em filme, o resultado disso é o interessante Faroeste Caboclo , um filme sobre um homem que nasceu com muitas contas para acertar. Desde a infância pobre vemos a esperança no olhar do protagonista, interpretado de maneira espetacular pelo ator Fabiano Boliveira. Com direito a flasbacks, muito bem inseridos na trama, sobre a infância de João de Santo Cristo somos guiados ao mundo das drogas e do preconceito além da paixão, criando uma espécie de Romeu e Julieta de Brasília. Na trama, ambientada em Brasília anos atrás, conhecemos João de Santo Cristo, um homem com um passado pobre, talentoso carpinteiro mas com poucas oportunidades na vida. Certo dia, resolve ir ao encontro de um primo estrangeiro que mora no coração do Estado onde vive. Juntos, começam a entrar no tráfico de drogas, já existente na região. Quando tudo se encaminhava da man...

Crítica do filme: 'Uma Ladra sem Limites'

Dirigida por Seth Gordon, que dirigiu o divertido Quero Matar Meu Chefe , volta as telonas com o bem abaixo da média Uma Ladra sem Limites. O filme é uma imperfeição completa. Roteiro, direção, elenco nada se encaixa. Entre os protagonistas, é difícil saber quem está pior, Jason Bateman ( Relação Explosiva ) ou Melissa McCarthy ( Missã: Madrinha de Casamento ). É uma típica comédia Hollywoodiana que mais parece um show de horrores. Na trama, escrita por Steve Conrad e Steve Conrad ( À Procura da Felicidade ) e Craig Mazin ( Se Beber, Não Case! Parte 2 ), acompanhamos a vida de um homem, pai de família, que possui um nome unissex, Sandy. Por conta disso, descobre que teve a identidade roubada por uma pessoa longe de onde mora. A partir daí, começa-se uma viagem muito louca que envolve uma trambiqueira, um caçador de recompensas e muitas confusões. As histórias que correm em paralelo, as chamadas subtramas, são muito mal exploradas, deixando o espectador sem entender o sentid...

Crítica do filme: 'O Sonho de Wadjda'

Ganhador de elogios ao redor do mundo, desembarcou no Brasil o drama O Sonho de Wadjda. Tendo influência do clássico da década de 40, O Ladrão de Bicicletas , de Vittorio De Sica ( Desejos Proibidos ), o longa fala sobre a destemida juventude que calça All Star e com uma mescla de inteligência e sabedoria consegue burlar qualquer símbolo de prepotência de uma sociedade machista no tempos atuais. Passando pelos costumes distantes, culturalmente, religiosamente e socialmente aceitos pelos sauditas, descobrimos a história de uma corajosa menina chamada Wadjda que possui entre muitos sonhos, o desejo de ter uma bicicleta. Diante do complicado objetivo, a menina moradora do subúrbio de Riade precisará passar por cima, sempre com muito inteligência, de tradições e restrições que as mulheres sofrem em seu país. A forma como a menina enfrenta o senso comum da cidade onde vive é a grande fonte de inspiração do filme escrito e dirigido pela cineasta Haifaa Al-Mansour. Valente e objet...

Crítica do filme: 'O que se move'

Vindo do mundo dos curtas metragens, o diretor Caetano Gotardo traz a angústia como principal foco no profundo drama O que se Move . Após rodar o Brasil em sessões de festivais e apresentações isoladas para todos os tipos de público, o novo trabalho de Gotardo chega aos cinemas brasileiros nesta semana mostrando uma ousadia particular fugindo dos padrões das produções nacionais. Na trama, conhecemos três famílias, três histórias, três dramas. Uma notícia inesperada, a angústia de um pai e um constrangimento imposto pelo destino. Cada parte possui suas particularidades e foram transformadas para a telona a partir de histórias, no caso três notícias isoladas, que aconteceram na vida real. O que se Move tem o freio de mão puxado, se fortalece nos acontecimentos e em um recurso musical no desfecho de cada história, com certeza, uma jogada arriscada do corajoso diretor. O trabalho do cineasta capixaba faz reflexões sobre a vida, o sexo e a sociedade. Mas a narrativa muito lenta...

Crítica do filme: 'Prenda-me'

Falando sobre violência doméstica e os procedimentos da polícia em casos específicos, o cineasta francês Jean-Paul Lilienfeld (do interessante La journée de la jupe ) presenteia os cinéfilos com seu novo filme, Prenda-Me , baseado em uma obra de Jean Teulé. A grande questão é saber como o público vai reagir quando receber esse confuso presente. Na trama, acompanhamos uma mulher, amargurada pelo seu passado, em conflito que entra em uma delegacia certa hora de uma noite e resolve assumir um crime que cometera a quase dez anos. Quando relata sua história para a tenente de plantão, a oficial tenta convencê-la a não se entregar. Aos poucos vamos conhecendo melhor aquela relação desgastada que a mulher sofria com sua família guiando o público para um desfecho imprevisível. A personagem principal passa a impressão de ingenuidade, de estar sufocada e automaticamente não conseguindo viver. Esse conflito chega a um caminho sem volta e a ideia de assumir a culpa passa a circular fort...

Crítica do filme: 'Cores'

O mundo é muito grande para você viver dentro de um aquário. Dirigido pelo cineasta Francisco Garcia, em seu primeiro longa, Cores é um filme bastante atípico quando pensamos em cinema nacional. O filme fala sobre a desilusão da juventude, seus conflitos e irresponsabilidades. Pelos olhos de três amigos, completamente perdidos em suas vidas, somos arrastados para o submundo da desilusão. É um retrato nu e cru de uma sociedade sem forças para superar as adversidades da vida. O trabalho como desafogo e exploração emocional é um exercício constante que vemos em cena. Os três trabalhadores utilizam o seu cotidiano improdutivo para exaltar suas inconseqüências sem responsabilidades. O grande problema vem com essa viagem nas personalidades dos que aparecem em cena. Os atores não conseguem desenvolver seus personagens, pecam pela fala de experiência. Isso acaba atrapalhando a profunda história escrita pelo diretor e Gabriel Campos. Ninguém pode falar de ninguém. Entre cigarros, b...

Crítica do filme: 'Em Transe'

Somos o somátorio de tudo o que fazemos e sentimos. Afastado a três anos das telonas, o cineasta Inglês Danny Boyle (127 Horas) volta em grande estilo com um thriller surpreendente que mostra o duvidoso e peculiar mundo do subconsciente humano, estamos falando do interessante Em Transe .  O filme é inteligente, eletrizante e volta e meia complicado. Danny Boyle dá um show na direção multiplataformas dessa história, consegue ser delicado esteticamente e explosivo, com muito dinamismo em cena. A adrenalina nos quize minutos iniciais começa com a breve apresentação de alguns personagens e um frustado assalto a uma casa de leilões que desencadeia uma série de mistérios indo desde um funcionário corrupto e viciado em jogos de azar até uma linda hipnóloga misteriosa. Junto a esses dois elementos um grupo de bandidos precisa descobrir aonde foi parar um dos quadros mais valiosos do mundo. Assim, entramos no mundo da hipnologia e aos mistérios dessa história. O universo secreto e espe...

Crítica do filme: 'O Que Traz Boas Novas'

Ganhador de mais de 26 prêmios internacionais, chega a Brasil o novo e elogiado trabalho  do cineasta Philippe Falardeau (do excelente  C'est pas moi, je le jure! ), O Que Traz Boas Novas . Qual o papel do professor? Educar ou ensinar? O longa levanta essa questão básica da educação centralizado nos interessantes diálogos entre pais, educadores e alunos.  Além disso, o filme é delicado, transborda ao mesmo tempo pureza e maturidade. Na trama, após uma tragédia inestimável, uma escola enfrenta um grande problema com seus alunos. Abalados, pais e orientadores buscam uma saída para a superação de toda uma classe até a chegada do novo professor de origem argelina, interpretado pelo ótimo ator Mohamed Fellag ( O Gato do Rabino ). O professor tenta se entender com os alunos e a essa nova maneira de educar. Jovens traumatizados que vez ou outra ficam abatidos e reflexivos quando lembram do trágico acontecimento. A relação Professor x Aluno é muito bem detalhada, somos jogad...

Crítica do filme: 'Margaret Mee e a Flor da Lua'

Uma pessoa firme e de liderança. No novo trabalho da cineasta Malu De Martino ( Como Esquecer ), Margaret Mee e a Flor da Lua, acompanhamos e deciframos juntos com a protagonista os mistérios de uma das regiões mais impactadas pelas ações anti-ecológicas dos seres humanos, a floresta Amazônica. Em pouco mais de 80 minutos, por meio de narrações, entrevistas e relatos emocionados nos apaixonamos por essa história, sendo adorador da biologia ou não. Ilustradora e amante da botânica, Miss Margaret, como um vizinho carinhosamente a chamava, logo em sua primeira expedição se apaixonou pela região do Amazonas, onde muitas vezes parecia sobrevoar um oceano de emoções. A diversidade da flora amazônica sempre foi um mundo sedutor para os adoradores da natureza e a corajosa britânica traçou seus objetivos que destinavam ao encontro com nosso país. A Flor da Lua, uma espécie de subtítulo da trama, foi o seu último grande desenho e longe de não ser uma desafiante aventura. A corajosa e...

Crítica do filme: 'Elena'

"Elena, sonhei com você essa noite." Falando sobre um dos sentimentos mais sinceros e profundos, Elena é mais do que um documentário família. O projeto dirigido pela cineasta Petra Costa é um retrato delicado sobre a saudade. A diretora revive memórias tristes e distantes de sua irmã, Elena Costa,  que cometeu suicídio na década de 80 nos Estados Unidos. Com muitas cenas em Nova Iorque, a concha de recordação vai modelando o roteiro que varia entre depoimentos de Petra e o de sua mãe. Revivendo angústias, o medo da solidão, dificuldades de adaptação em um lar estrangeiro e memórias incompletas, somos transportados a todo o sofrimento daquela família, principalmente ao de Petra que possui um desejo escondido de um reencontro impossível. Elena conheceu Coppola, dançou em muitos ritmos, se jogou na difícil carreira de atriz. Porém, como em toda vida, nem tudo era perfeito. Quando a solidão se une à desilusão percebemos a desistência de um coração triste. Elena vivia em confl...