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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Crítica do filme: 'Uma Vida de Esperança'

Os milagres acontecem, mas é sempre bom termos pessoas que nos conduzem até eles. Preenchendo a tela com superações morais e com a fé atravessando seu roteiro, o longa-metragem Uma Vida de Esperança nos coloca de frente com o luto e, ao mesmo tempo, a necessidade de sermos uma fortaleza, a partir de um protagonista que enfrenta tempestades em forma de tragédias. Com filmagens no Canadá (Winnipeg) e nos Estados Unidos (Albany), o projeto, ambientado em meados da década de 1990, tem uma fácil compreensão quando pensamos em sua estrutura narrativa – que não se arrisca, seguindo a cartilha da maioria dos filmes sobre superação –, com atalhos usuais e uma base linear que provoca essa assimilação rápida. Inspirado em uma história real, a obra se constrói em torno de uma ideia solidária, batendo nessa tecla com frequência para gerar mensagens positivas, algo que se mostra como o grande objetivo do projeto. Ed ( Alan Ritchson ) é um pai e marido amado. Quando a esposa parte precocemente, ...

Crítica do filme: 'A Grande Inundação'

É impressionante como alguns filmes conseguem nos surpreender. Chegou há poucos dias à Netflix um longa-metragem sul-coreano que, a princípio, parecia ser mais um ‘filme-catástrofe’, daqueles onde acompanhamos uma personagem protagonista lutando por sobrevivência em meio à devastação da vida na Terra. Só que em A Grande Inundação , um plot twist muda nossas percepções sobre o que estamos vendo, nos levando para uma jornada que explora de forma profunda questões ligadas à existência. Nada neste projeto dirigido pelo cineasta Kim Byung-woo é simples. É preciso uma total atenção, já que, quando começamos a decifrar seus mistérios, percebemos uma narrativa que induz o público a decifrar pistas, mesmo preso a um complexo roteiro que confunde em alguns momentos mas deixa rastros importantes de reflexão em cada linha. Como as surpresas dessa história precisam ser sentidas pelo público para seu impacto, tentarei ao máximo fugir dos spoilers. A trama, ambientada em uma Seul (Coreia do Sul)...

Crítica do filme: 'O Grande Roubo do Louvre: O Crime Minuto a Minuto'

Quando pensamos em roubo mirabolantes – beirando ao inacreditável –, a primeira pergunta que vem na cabeça é: como isso foi possível? Trazendo detalhes sobre um curioso crime ocorrido no maior museu de arte do mundo, o Louvre, chegou à HBO MAX um média-metragem documental que explica, passo a passo, o que aconteceu na manhã do dia 19 de outubro deste ano, quando algumas peças da coroa francesa foram roubadas – e, até agora, não encontradas. O Louvre, com seus mais de 200 metros quadrados, foi inaugurado em 1793 e logo se tornou um importante ponto turístico da capital francesa, foi e sempre será um lugar conhecido no mundo todo. Talvez por isso o choque diante do ocorrido. Criminosos - provavelmente não tão profissionais - subiram uma escada acoplada a um veículo e entraram por uma das janelas, localizada em um ponto cego de uma das câmeras do complexo. Após uma rápida ação criminosa na Galeria d’Apollon, fugiram em scooters. Mas como ninguém fez nada?! Reunindo uma série de depoim...

Crítica do filme: 'Fuga Fatal'

É sempre bom acharmos alguma obra que busca, no sombrio dos atos inconsequentes, reflexões sobre relações próximas marcadas pela falta de oportunidades. Em Fuga Fatal , novo filme disponível no Prime Video, dirigido por Nick Rowland , nos deparamos com uma história cruel em muitos sentidos: um reencontro forçado entre pai e filha, ambos marcados como alvos por uma organização movida à ideologias de intolerância e preconceito. Ao romper camadas através de um estremecido vínculo, a narrativa nos convida para um caminho de tensões e de um amadurecimento precoce. Nesse forte drama, com altas doses de ação e violência, conhecemos Nathan ( Taron Egerton ), que, por conta de suas escolhas erradas, passou longos anos na prisão. Quando consegue sair, é perseguido por uma gangue da qual se tornou inimigo durante o encarceramento e logo percebe que sua família também virou alvo. Com a ex-mulher assassinada, ele corre para proteger Polly ( Ana Sophia Heger ), sua filha, com que teve pouco contat...

Pausa para uma série: 'Homem x Bebê'

Aos 70 anos, e após uma breve participação no longa-metragem Wonka (2023), o ator e comediante britânico Rowan Atkinson , conhecido por seu inesquecível personagem Mr. Bean , volta a uma grande produção, dessa vez em parceria com a NETFLIX. Homem x Bebê , minissérie curtinha de apenas quatro episódios, apresenta eventos dissonantes na vida de um homem ingênuo mas de bom coração que se vê envolvido em uma situação pra lá de inusitada. Trevor ( Rowan Atkinson ) é um cara gente boa, mas vive ressentido ao ver os laços familiares se quebrarem após um divórcio tempos atrás, principalmente pela distância que tem da filha, Maddy ( Alanah Bloor ). No último dia como zelador de uma escola, acaba se deparando com uma situação peculiar: esqueceram um bebê no local. Precisando ir até uma entrevista de emprego que pode mudar sua vida, ele decide levar a criança consigo. Assim, eles chegam até um luxuoso apartamento, onde Trevor tem a missão de cuidar até os donos chegarem. Confusões não faltam du...

Crítica do filme: 'Diga-me Baixinho'

Um coração, dois amores. Mesclando o drama e o romance com toques de suspense, explorando fases da vida de alguns jovens entrelaçados por uma situação do passado, a nova série do PRIME VIDEO, Diga-me Baixinho, avança pelo melodramático para recortar o choque entre a culpa, a paixão e o perdão. O projeto, logo após sua estreia, alcançou o Top 1 da plataforma. Baseado em uma obra da escritora argentina Mercedes Ron – o primeiro livro que faz parte de uma trilogia - o projeto se projeta em cima de uma premissa: não há soluções fáceis para o amor, avançando em uma fórmula desgastada para fisgar o público mais jovem, naquela linha de Elite , ou mesmo das antigas One Tree Hill e The O.C . Notem que encontrei o paralelo com séries que tiveram longas temporadas para se desenvolver, mas a receita é a mesma – até porque uma trilogia provavelmente nos aguarda. Kami ( Alícia Falcó ) é uma jovem popular do ensino médio em uma escola de elite. Sempre rodeada pelas amigas mais próximas, vê seu ...

Pausa para uma série: 'A Última Fronteira'

A Apple Tv vem trazendo, ao longo de sua ainda curta história, diversas obras de impacto quando o assunto é séries. Você pode perceber isso pelas diversas listas de melhores do ano espalhadas pela internet, nas quais sempre aparece uma série desse poderoso streaming – que talvez ainda não tenha o reconhecimento que merece. A Última Fronteira , criada por Jon Bokenkamp e Richard D'Ovidio , chegou para tentar ser mais um desses competentes títulos: uma trama de espionagem ambientada no frio do Alaska que distribui reflexões sobre moral, família e identidade. Ao longo dos seus 10 episódios, acompanhamos Frank ( Jason Clarke - um dos atores mais subestimados dos últimos anos) um policial federal alocado no Alaska, sua terra natal, com fortes marcas no passado. Ele precisa lidar com a inusitada queda de um avião repleto de prisioneiros perigosos e ir à caça dos sobreviventes. Nessa perigosa caminhada, acaba recebendo a ajuda da misteriosa Sidney ( Haley Bennett ), uma agente da inte...

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'A arte de morrer ou Marta Díptero Braquícero' [Fest Aruanda 2025]

Por que estamos vivos? Existe algum momento para se entregar? Lançando a todo instante perguntas existenciais e desabafos em formas de reflexões, hipnotizando o público com palavras carregadas de múltiplos sentidos, o curta-metragem A arte de morrer ou Marta Díptero Braquícero, a daptado de um conto de Bruno Ribeiro , apresenta de maneira criativa suas fascinantes estranhezas e abre um convite para que os espectadores reflitam sobre a vida e a morte. Um cliente ( Luiz Carlos Vasconcelos ) divaga sobre a antítese mais famosa de todo ciclo vital. Logo, se junta a ele uma garçonete ( Ingrid Trigueiro ), e assim os dois conversam sobre questões da existência após uma mosca se entregar à morte num prato de bife com batata frita - episódio que chama a atenção de um dos personagens, esse também narrador, que quebra a quarta parede nos envolvendo em pensamentos antes distantes, mas que ganham vida quando o marasmo da existência desperta a necessidade de contemplações. Um cenário, uma fotog...

Crítica do filme: 'Vulkan' [Fest Aruanda 2025]

Fugindo de qualquer zona de conforto e se arriscando no sensorial, a co-produção Brasil e França, Vulkan , é um filme quase sem falas, que repousa suas contemplações na sensualidade e da erupção do prazer questionando sem pressa as relações convidando o público a sentir e interpretar, longe de qualquer estrutura careta de um roteiro previsível. Dirigido por Julia Zakia , esse interessante curta-metragem foi selecionado para a mostra competitiva nacional do Fest Aruanda 2025. Três personagens e a filosofia relacional do poliamor são as peças centrais desse projeto que celebra o sentimento mais poderoso que existe. Da leveza da felicidade às intensidades da intimidade e aos momentos de reflexão, somos conduzidos para refletir sobre essa dinâmica afetiva. Em cena, as atrizes brasileiras Bruna Linzmeyer e Georgette Fadel se juntam à francesa Mata Gabin, compondo um retrato poético sobre o que transborda na imprevisibilidade e no desejo ardente. Há uma certa poesia que paira sobre a ...

Crítica do filme: 'Malaika' [Fest Aruanda 2025]

O isolamento para chegar nas linhas da solidão. Um silêncio profundo no início do longa-metragem Malaika já nos transmitia a ideia de que embarcaríamos em uma jornada de deslocamento, com interpretações e sentimentos voltados ao não-pertencimento. Dirigido por André Morais , a obra aposta suas fichas em um recorte sensorial que contempla incertezas e estímulos perceptivos, mas esquece de um ponto importante: a narrativa, que se arrasta pela fabulação sem sustentar de forma satisfatória seus próprios elementos em cena. Uma jovem albina chamada Malaika chega à escola para o primeiro dia de aula em uma zona rural do interior nordestino, onde logo percebe o ambiente hostil, fruto do bullying de outros alunos. Ela vive com vive com a mãe Isabel, que trabalha para uma família da região. Aos poucos, vai inicia um processo de amadurecimento em uma jornada de autodescoberta. Sempre com a câmera próximas da protagonista, acompanhando uma movimentação de forma bem próxima, íntima, querendo p...

Crítica do filme: 'Outono em Gotham City' [Fest Aruanda 2025]

Quando olhei para o curioso título desse filme, logo pensei: o que será que me espera? Selecionado para a Mostra Competitiva Sob o Céu Nordestino, o longa-metragem paraibano Outono em Gotham City não tem nada de Batman; o título funciona como uma referência à cinefilia e – talvez – à maneira como se pode brincar com a linguagem cinematográfica, testando possibilidades e experimentando novas maneiras de enxergar os epicentros de uma história. Eu já havia me deparado com o cinema do diretor dessa obra, o Tiago A. Neves no peculiar e interessante longa-metragem Maças no Escuro , mas, em Outono em Gotham City, o cineasta campinense avança em sua coragem de desbravar o que é pouco explorado. Só por conta disso ganha-se pontos. No entanto, ao embolar o que poderia ser simples, o filme acaba não encontrando um norte para sua narrativa confusa, além de apresentar personagens com pouca presença marcante e fraco impacto emocional.       Em resumo, a história gira em torno de...

Crítica do filme: 'O Nordeste sob a Caravana Farkas' [Fest Aruanda 2025]

Nos anos 1960 e 1970, o produtor húngaro-brasileiro Thomaz Farkas reuniu realizadores de várias partes do Brasil para registrar modos de vida de diferentes lugares, em especial do nordeste brasileiro. O Nordeste sob a Caravana Farkas , longa-metragem exibido na mostra Sob o Céu Nordestino do Fest Arunda 2025, joga luz para essa jornada, dividida em alguns episódios que percorrem histórias de vaqueiros, as melodias de improviso de artistas repentistas, o conturbado cangaço e a o trabalho artesanal com o barro. Dirigido pela dupla Arthur Lins e André Moura Lopes , esse projeto paraibano reúne uma importante pesquisa sobre esse tour, provocando uma valorização profunda de personagens e suas histórias. Do resgate das tradições à transmissão intergeracional e à afirmação identitária, passando pelas manifestações culturais de muitos lugares desconhecidos por grande parte dos brasileiros, vamos percorrendo o concreto da realidade com tentativas de paralelos com o tempo. Uma característi...

'Boi no Mato' e 'Teatro em Jampa Vive' [Fest Aruanda 2025]

Boi no Mato Apresentando uma breve e, em certos pontos, eficiente ‘Sinfonia do Vaqueiro’, o curta-metragem Boi no Mato , de Ana Calline , busca uma atmosfera que transita entre sensações e cotidiano, dentro de um sentido cultural que vai da coragem à vida selvagem enraizada na cultura sertaneja. Logo, solta na tela a identidade e resistência se juntando ao pertencimento, ligados ao vínculo afetivo e às tradições de toda uma região. A narrativa tenta estabelecer elos para prender a atenção do espectador; as imagens geram impacto, embora muitas vezes faltem algumas explicações - certos porquês - especialmente para quem não conhece sobre o tema abordado. Mesmo com esse detalhe que fragiliza a narrativa, o alcance do entorno progride, deixando margem para reflexões sobre a força da dimensão cultural, da memória e da resistência.   Teatro em Jampa Vive Com mensagens diretas e uma comunicação objetiva, de finalidade essencialmente promocional, o curta-metragem Teatro em Jampa V...

Crítica do filme: 'Jacu' [Fest Aruanda 2025]

Em um exercício satisfatório – não diria inventivo – que alcança ritmo e prende a atenção, o curta-metragem Jacu , dirigido por Ramon Batista, nos convida a conhecer mais sobre a história de um fenômeno social e cultural por meio de um representante marcante de um nordeste profundo. Selecionado para a mostra competitiva ‘Sob o Céu Nordestino’ do Fest Aruanda 2025, esse é um trabalho que foge da narrativa tradicional priorizando uma experiência imersiva, construída a partir de imagens evocativas. Com a câmera ligada em lugares que mostram marcas do passado - muitas vezes de forma estática, mas ainda assim encontrando movimento - e criando simbolismos e tensões através do sensorial, o projeto costura a maneira de contar sua história através de uma cirúrgica narração que acompanha toda a projeção. Assim, percebemos uma criatividade evidente na forma como o filme se comunica com o espectador, com elementos técnicos e estéticos em destaque.     Partindo de uma casa histórica e...

Crítica do filme: 'Colmeia' [Fest Aruanda 2025]

Um dos mais interessantes curtas-metragens exibidos no Festa Aruanda 2025, selecionado para a mostra competitiva ‘Sob o Céu Nordestino’, o projeto Colmeia nos leva para um show de imagens e seus paralelos que alcançam um mar de reflexões sobre a relação entre a natureza e os seres humanos. Tudo funciona em perfeita harmonia, deixando o público de portas abertas para suas próprias interpretações. Nessa obra, impressiona a qualidade criativa para juntar elementos em cena que conseguem virar um turbo de pensamentos por meio dos contrapontos que estabelece. O trabalho, o cotidiano, as adaptações de sobrevivência – e até mesmo respingos da vida e da morte - são apresentados com diversos paralelos, numa jornada sensorial em que o som desempenha papel importante, conduzindo o espectador para o pensar a vida e o pulsar da existência.   Além disso, o filme consegue encontrar elementos criativos dentro da própria linguagem – como um travelling acelerado cujos movimentos se acoplam - cri...

Crítica do filme: 'Ato Noturno' [Fest Aruanda 2025]

Reunindo um envolvente ping-pong entre o caráter e a moral – entre o certo pra si e o que é considerado aceitável pela sociedade –, o longa-metragem Ato Noturno adentra o desejo e o fetiche, para apresentar uma espécie de tragédia grega, marcada por quedas inevitáveis provocadas pelos deslizes humanos. Dito isso, o enredo convencional, de desenvolvimento linear e caminhos fáceis de acompanhar, com um conflito central bem definido, não alcança muitas camadas e vai diretamente ao encontro sensorial, conectando-se mais ao que é sentido do que ao que é elaborado. Matias ( Gabriel Faryas ) é um jovem ator que consegue uma oportunidade num grupo famoso da cena teatral. Prestes a estrear a peça, acaba conhecendo um outro homem, Rafael ( Cirillo Luna ), por meio de um aplicativo de encontros. Com a intensidade amorosa ficando cada vez mais constante, Matias descobre que Rafael é um político em ascensão que vai concorrer ao cargo de prefeito. Dessa relação, que acompanhamos sob a perspectati...

Crítica do filme: 'No Compasso do Coração' [Fest Aruanda 2025]

Carregado muito mais pela tentativa de provocar emoções do que por um roteiro estruturado de forma equilibrada, o curta-metragem No Compasso do Coração nos leva até um recorte imersivo - e muitas vezes subjetivo - a partir de um personagem autista que encontra, nos movimentos corporais através da dança, aquilo que o liberta. Pena que a narrativa não encontra elos para uma construção coesa e articulação consistente dos acontecimentos, deixando o público refém de breves respiros traduzidos em mensagens importantes. Com uma relação próxima com a mãe, Olivio tem um verdadeiro fascínio pela expressão artística do corpo em movimento: a dança, onde encontra um oásis para expressar, através de gestos, sentimentos conflitantes. Em meio à pandemia, uma importante apresentação é cancelada, e o protagonista precisa lidar com a ansiedade. Juntando as peças desse momento delicado, ele não desiste de retomar o contato com o pulsar da vida. Dentro dessa perspectiva sensorial, cheia de percepções ...

Crítica do filme: 'Index' [Fest Aruanda 2025]

O cinema pode ser um caminho para expressar a arte e remeter questões cravadas pelo tempo, onde a beleza precisa dar as mãos ao conteúdo. No curta-metragem Index , do artista visual João Lobo , a dinâmica proposta é refletir sobre o tempo por meio de inscrições rupestres de um sítio arqueológico localizado na cidade de Ingá, município paraibano, limitando o público a um papel de observador. Mas será que isso basta para entendermos a obra por completo? Em um tiro curto de 9 minutos – com um ar psicodélico -, a imersão excessiva sobre o que não é explicado salta aos olhos: pelos céus, pela terra, colocando também a natureza em destaque. Vamos sendo conduzidos para uma viagem repleta de beleza, onde se fixam ideias isoladas em uma narrativa intraduzível, na qual o desassossego se torna constante pelas lacunas não preenchidas. Uma pena. Parece ser um filme feito para si mesmo, sem pretensões de ampliar reflexões ou mesmo debates sobre o tour pelas belezas que se apresentam. Forma e o ...

Crítica do filme: 'Ary' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo um pouquinho do Brasil por meio das peculiaridades que circulam entre as ironias e o bom humor de um dos mais conhecidos compositores das história da música brasileira, o longa-metragem Ary , dirigido por André Weller , acerta em cheio ao construir uma narrativa com camadas simbólicas, emocionais e também sociais. Misturando documentário com pitadas de ficção, somos convidados a participar como observadores de um deslumbrante tour pela capacidade inventiva de um artista idolatrado, que abraçou em suas criações a cultura brasileira. Filme de abertura da 20ª edição do Fest Aruanda 2025, o projeto acerta ao contar essa história de forma cronológica e, em uma boa sacada, traz a voz marcante de Lima Duarte como narrador em primeira pessoa. Dentro dessa estrutura narrativa fluida - ora divertida, ora empolgante -, de Minas para o Rio (e depois conquistando o exterior), vamos conhecendo os momentos-chave de sua trajetória, nos quais a vida pessoal se mistura com a profissional. ...